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Oriente Médio e Palestina

sábado, 14 de outubro de 2017

ENAD Questões comentadas




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1.   A partir de 1930 ocorreu uma troca da elite do poder sem grandes rupturas. Caíram os quadros oligárquicos tradicionais; subiram os militares, os técnicos diplomados, os jovens políticos e, um pouco mais tarde, os industriais. Desde cedo o novo governo tratou de centralizar em suas mãos tanto as decisões econômico-financeiras quanto as de natureza política. Desse modo, passou a arbitrar os diversos interesses em jogo. O poder de tipo oligárquico, baseado na força dos Estados, perdeu terreno. As oligarquias não desapareceram, nem o padrão de relações clientelistas deixou de existir. Um novo tipo de Estado nasceu após 1930, distinguindo-se do Estado oligárquico.

FAUSTO, B. História Concisa do Brasil. São Paulo: Edusp, 2002, p. 182.


A partir das afirmações de Boris Fausto, elabore um texto dissertativo abordando os seguintes aspectos:

a) definição do poder oligárguico brasileiro;
b) principais características do Estado após 1930.  


Resposta:

Elaborar um texto dissertativo, abordando os seguintes aspectos:

a) Definição do poder oligárquico brasileiro, mencionando pelo menos dois dos tópicos abaixo:

- baseado na força, poder, autonomia dos Estados regionais frente ao Estado federal fraco;
- poder pulverizado nas diversas oligarquias políticas estaduais, sendo as principais as de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, ou seja, a irradiação do poder ocorria da periferia (governos estaduais) para o centro (governo federal);
- poder baseado na economia agroexportadora;
- poder marcado pelo coronelismo, clientelismo, desigualdade social, impossibilidade de os cidadãos efetivarem seus direitos, precariedade ou inexistência de serviços assistenciais do Estado, o que tornava os cidadãos reféns dos favores políticos da oligarquia.

b) Indicar as principais características do Estado pós 1930, mencionando pelo menos dois dos tópicos abaixo:

- centralização do poder político no governo federal;
- irradiação do poder do centro para a periferia (governos estaduais);
- atuação econômica intervencionista do Estado, voltada para os objetivos de promover a industrialização, inclusive a indústria de base;
- atuação social, como a criação de legislação trabalhista;
- papel central atribuído às Forças Armadas, como fator de garantia da ordem interna;
- fortalecimento de uma nova elite formada por militares, tenentistas, técnicos diplomados, jovens políticos e industriais.  



  
2.   Contavam os meus avós, que os avós deles vieram pegados da África. Naquela época, eles residiam em Moçambique. E lá entraram os portugueses, para pegar pra trazer como escravo. (...) Meu pai contava do bisavô dele. Chegava de noite no tempo frio faziam fogo pra esquentar... Ficava tudo sentado assim em roda do fogo, ficava aquele mundo de... netaiada de preto, e então aqueles avós, que tinham vindo da África, começavam a contar história da África. (...) Os meus pais não foram escravos. Acho que eles foram ventre livre. O puro mesmo é aquele que veio da África. Meus bisavós vieram de Moçambique. Contam que ficavam entre eles, conversando a língua deles, quando o senhor via que eles estavam conversando na língua africana, gritava! Não era para falar mais. Tiveram que perder a língua a força. Não era para falar mais, então falavam escondido. Quando queriam conversar na língua deles, conversavam escondido. Diz que ficavam olhando assim: “Senhor, olha o senhor lá!” E aí tinham que falar português, que eles não sabiam direito. Meu pai contava muito dos avós, mas não falava africano. Alguma palavra, ele contava pra nós era em língua africana, mas não falava mais nada. Não deixaram, foi proibido falar para os filhos não aprender. Os que vieram de lá não tinham licença para ensinar os filhos. Fizeram mesmo que acabasse a língua.

O testemunho oral representa o núcleo da investigação, nunca sua parte acessória; isso obriga o historiador a levar em conta perspectivas nem sempre presentes em outros trabalhos históricos, como por exemplo as relações entre escrita e oralidade, memória e história ou tradição oral e história.

Benedita, São Paulo, 80 anos, 15/08 e 16/08/1987. RIOS, Ana Lugão FERREIRA, M. M. e AMADO, J. Apresentação. Usos & Abusos da História Oral. 8. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2006, p.xiv.


Partindo da premissa de que história oral é metodologia de trabalho com fontes orais, o que requer procedimentos específicos de trabalho por parte do historiador, faça uma análise da narrativa de Benedita transcrita acima, a partir das seguintes perspectivas:

a) relação entre memória e história;
b) presença da tradição oral;
c) importância do uso de testemunhos orais para historicizar trajetórias individuais, eventos ou processos que não poderiam ser compreendidos de outra forma.  


Resposta:

a) Abordar a relação entre memória e história a partir de – pelo menos uma – das seguintes perspectivas: de que as memórias narradas são representações do passado, reconstruídas por Benedita a partir de lembranças familiares, principalmente aquelas contadas pelos avós e pais; de que sua narrativa foi construída a partir de memórias compartilhadas, de histórias que ouviu contar na infância, de histórias que ouviu contar não apenas na família, mas também em outras instâncias sociais. Pode também apontar para o fato de que a narrativa foi construída em cima de lembranças e, nesse sentido, são passíveis de ocultações, interpolações, enquadramentos, reelaborações etc. Também pode considerar a relação metodologicamente, ou seja, de que o historiador deve atentar para a interação entre essas duas dimensões de apropriação do passado (história e memória) e abordar historicamente o próprio processo de produção da memória.
b) Enfatizar que as lembranças de Benedita foram produzidas principalmente a partir de narrativas orais, histórias contadas pelo pai e avós e não escritas. A partir dessa consideração fundamental, as análises possíveis não se afastam daquelas entre memória e história. Convém, ao longo da análise, – deixar claro o entendimento da perspectiva solicitada na questão: história oral como metodologia.
c) Discutir esse item a partir de – pelo menos uma – das seguintes perspectivas: a história oral tornou possível a história de grupos excluídos da escrita da história por muito tempo: analfabetos, mulheres, crianças, miseráveis, prisioneiros, loucos, movimentos sociais, lutas cotidianas etc. Não por acaso a história oral emerge como movimento militante na década de 1960, sendo durante muito tempo, ligada a história dos excluídos, ou usada para escrever uma “história vista de baixo”; sobre os escravos no Brasil, tem-se poucos registros produzidos pelos próprios escravos, o mais comum são documentos oficiais e que possibilitam um horizonte menos amplo do cotidiano e relações desses sujeitos históricos na história do Brasil.



  
3.   Leia o texto abaixo, para responder à questão.

A história contemporânea, na tradição francesa que remonta ao século XIX, tem início com a Revolução francesa. A história do tempo presente é a que se refere ao passado próximo, aquele no qual existem ainda atores vivos. Antes de explicar o que é esta última, é preciso lembrar que a noção de “contemporaneidade” é tão antiga e tão problemática quanto a própria disciplina da história. (...) De um lado, só há história contemporânea, segundo a célebre afirmação de Benedeto Croce. Um historiador, como qualquer outro indivíduo, fala sempre sobre o passado no presente. Ele reconstitui os discursos e os atos do passado com linguagem, conceitos e preocupações que são as do seu tempo, e ele se dirige a seus contemporâneos. (...) Seu trabalho se inscreve assim em uma dialética, uma tensão entre as palavras do passado e as do presente.
De outro lado, o estudo da história do passado próximo remonta às origens da história enquanto empreendimento intelectual. As Histórias de Heródoto ou A guerra do Peloponeso de Tucídides são, em parte, histórias do tempo presente (...).
Até os anos 1970, esta história [do tempo presente] era vista com suspeita pelas instâncias acadêmicas. (...) A novidade da situação atual é que esta história é não somente reconhecida enquanto tal, independentemente da qualidade de sua produção, desigual como qualquer outra, como é também fortemente solicitada. (...)
A definição de história do tempo presente é a de ser a história de um passado que não está morto, de um passado que ainda está vivo na palavra e na experiência dos indivíduos, portanto, ligado a uma memória ativa e singularmente atuante (...). Esta história é um diálogo entre vivos e mortos, como toda narrativa histórica, mas ela repousa igualmente em um diálogo entre vivos, entre contemporâneos, sobre um passado que ainda não passou inteiramente, mas que já deixou de ser atual.

ROUSSO, Henry. La hantisse du passé. Paris: Éditions Textuel, 1998, p. 50, 57-8 e 63.


a) Na tradição historiográfica, afirma-se que toda história é “contemporânea”. JUSTIFIQUE.
b) IDENTIFIQUE a especificidade da “história do tempo presente”.
c) APRESENTE e ANALISE duas razões que explicariam, no momento atual, o crescente interesse das sociedades por uma “história do tempo presente”.  


Resposta:

a) Apresentar uma, entre as justificativas a seguir.

- Toda história pode ser considerada “contemporânea”, porque todo historiador elabora uma história do passado informado por questões de seu tempo presente. Assim o faz com as preocupações, o vocabulário, os conceitos e as teorias de que dispõe quando produz o conhecimento histórico, seja ele sobre a antiguidade ou os tempos modernos.
- A contemporaneidade na produção do conhecimento histórico se manifesta na relação entre as intenções do historiador e as expectativas de seus leitores. Assim, é com os olhos do presente que se vê o passado, sendo a narrativa histórica um produto dessa tensão entre tempos – passado, presente e futuro –, que é o horizonte de todo público leitor.

b) Apresentar uma, entre as especificidades a seguir.

- A noção de “passado” é uma construção intelectual da história e, na “história do tempo presente,” o passado é entendido como algo próximo, isto é, como um passado cujos sujeitos históricos ainda estão vivos e atuando nas sociedades, portanto, convivendo com o historiador.
- A “história do tempo presente” estuda um passado que “não está morto”, trabalhando com uma memória que ainda está muito atuante politicamente. Daí se dizer também que essa história envolve não apenas um diálogo entre vivos e mortos, como qualquer outra história, mas igualmente um diálogo entre vivos, no qual se inclui o próprio historiador.
- A “história do tempo presente” está associada à produção de novas metodologias e fontes, como as orais e memoriais, o que demarca crescentes e importantes diálogos com outras disciplinas.

c) Apresentar duas, entre as seguintes razões:

- a importância dos novos meios de comunicação de massa, impondo um número crescente de fatos sociais à observação das sociedades, em tempo praticamente real, e criando uma necessidade maior de explicações sobre um “passado próximo”, o que inclui a participação dos historiadores;
- a globalização do mundo, diminuindo distâncias e alterando as percepções de tempo e espaço, o que demanda o enfrentamento dessa nova sensibilidade de relacionar passado, presente e futuro, por parte das sociedades e dos historiadores;
- o impacto político e social de questões que envolvem as constantes migrações e vários acontecimentos traumáticos (guerras e massacres, por exemplo), que exigem uma visão histórica desse passado próximo, bem como sua ancoragem em um passado mais distante;
- o valor ampliado das inúmeras e variadas comemorações, apropriadas, nesse aspecto, pela grande mídia, tornando-se, como fenômeno, não só um objeto de estudo privilegiado da história do tempo presente, mas, também, fator impulsionador de sua propagação e reconhecimento nos meios acadêmicos.



  
4.   Gilberto Freyre foi dos primeiros estudiosos brasileiros a explorar os anúncios de jornal como fontes históricas. Ele mostrou como tais textos nos permitem conhecer as relações sociais existentes em determinado momento e lugar, as características dos trabalhadores e suas condições de trabalho.

Considerando esse contexto, leia os anúncios de jornal abaixo.

Aluga-se ou vende-se uma boa escrava, muito prendada, faz crochê, costuras, doces, lava, engoma e cozinha perfeitamente: tem uma filha de oito anos, ingênua; quem a pretender dirija-se à rua Halfeld, n. 32, loja.
O Farol, Juiz de Fora, Minas Gerais, 17/04/1883.


Alugam-se duas escravas, um moleque e um rapaz carpinteiro. Quem os pretender dirija-se à rua da Imperatriz, n. 32, Armarinho do Queiroz, junto ao Hotel Português.
O Farol, Juiz de Fora, Minas Gerais, 11/10/1883.


Uma família pequena precisa de uma criada de cor, livre ou escrava, que cozinhe perfeitamente o trivial e que saiba com presteza e asseio fazer os arranjos da casa. Para informações (...) rua Direita n. 18.
O Farol, Juiz de Fora, Minas Gerais, 02/02/1884.


Precisa-se de um cozinheiro, de conduta afiançada; branco ou de cor, livre ou escravo, para a casa do Dr. Eloy Ottoni, na rua da Imperatriz, n. 8.
O Farol, Juiz de Fora, Minas Gerais, 04/10/1883.


a) IDENTIFIQUE o nome, o local e as datas da fonte histórica utilizada e estabeleça relações entre tais informações e a situação política do sistema escravista no Brasil da época.
b) Homens, mulheres e também crianças integravam o mercado de trabalho no oitocentos. EXPLIQUE o que era uma criança “ingênua”, como a nomeada no primeiro anúncio.
c) COMPARE os elementos fornecidos pelo conjunto de anúncios, com o objetivo de CARACTERIZAR o tipo de trabalhadores e as formas de utilização da mão de obra, no mercado de trabalho urbano do Brasil de meados da década de 1880.


Resposta:

a) Identificar a fonte, apresentando as informações a seguir.

O nome do jornal é O Farol, publicado na cidade de Juiz de Fora, na então província de Minas Gerais, sendo todos os anúncios dos anos de 1883/1884.

No que se refere às relações entre a fonte e a situação política do sistema escravista no Brasil, na década de 1880, o aluno poderá apresentar uma, entre as seguintes relações:

- as datas dos anúncios informam ao historiador que se estava muito próximo ao término da escravidão, deslegitimada pela ação de um movimento abolicionista que se fortalecia e apontava para um fim certo, embora não claramente previsível, dessa instituição. É nesse contexto que o aluno deve entender os usos dos trabalhadores escravos e livres, exemplificados pelos anúncios;
- O Farol era um jornal da cidade de Juiz de Fora, centro comercial e manufatureiro da província de Minas Gerais, importante produtora e exportadora de café na época, e que por isso concentrou grande número de escravos até a abolição, o que aparece nos anúncios transcritos.

b) Uma criança “ingênua” era aquela nascida após a Lei do Ventre Livre (ou Lei Rio Branco), de 1871. Ou seja, uma criança que juridicamente não era mais escrava. Em função das condições sociais e políticas do país, tais crianças acabavam acompanhando seus pais escravos, sendo “libertadas” apenas quando da Lei Áurea, em 1888.

c) Comparando as informações fornecidas pelos anúncios, o aluno poderá apresentar uma, entre as características a seguir.

- Em meados do oitocentos, já havia uma demanda indistinta por trabalhadores escravos ou livres, brancos ou “de cor”, para se ocupar do mesmo tipo de tarefas. Isso evidencia a existência de um mercado de trabalho urbano onde conviviam entre si trabalhadores livres e escravos, brancos ou “de cor”, a que eram feitas as mesmas exigências.
- Os trabalhadores escravos eram usados nas mesmas tarefas desempenhadas pelos trabalhadores livres. Eles podiam ter o mesmo grau de qualificação que os livres, fossem brancos ou “de cor”. Eram muito usados no serviço doméstico, uma importante forma de absorver trabalhadores nas cidades do país, de um modo geral.
- Em meados do oitocentos, torna-se prática comum o aluguel de escravos, um negócio bom para o proprietário, que recuperava o capital investido, e bom para quem alugava o escravo, pois não tinha que imobilizar capital num momento em que se anunciava como próxima a abolição da escravidão.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Questões de Sociologia


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1.   Baseando-se nos textos e no comentário apresentados a seguir:

“Hitler considerava que a propaganda sempre deveria ser popular, dirigida às massas, desenvolvida de modo a levar em conta um nível de compreensão dos mais baixos. 'As grandes massas', dizia ele, 'têm uma capacidade de recepção muito limitada, uma inteligência modesta, uma memória fraca'. Por isso mesmo, a propaganda deveria restringir-se a pouquíssimos pontos, repetidos incessantemente […]. Tudo interessa no jogo da propaganda: mentiras, calúnias; para mentir, que seja grande a mentira, pois assim sendo, 'nem passará pela cabeça das pessoas ser possível arquitetar uma tão profunda falsificação da verdade.”

LENHARO, Alcir. Nazismo: “o triunfo da vontade”. 6ª. ed., São Paulo: Ática, 1998, p. 47-48.


“Eu vivo em tempos sombrios.
Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez,
Uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
Aquele que ainda ri é porque ainda não recebeu a terrível notícia.
Que tempos são esses,
Quando falar sobre flores é quase um crime,
Pois significa silenciar sobre tanta injustiça? [...]”.

Trecho de “Aos que virão depois de nós”, de Bertolt Brecht, 193?.


Uma das características marcantes do nazismo – que colocou em cheque tanto a liberdade, a democracia e a dignidade humana, quanto os movimentos socialistas e comunistas – foi a disseminação de uma ideologia de extrema direita, de tradição xenófoba, nacionalista e antissemita, por uso sistemático e ostensivo dos modernos meios de informação e comunicação com o objetivo expresso de silenciar, controlar e conduzir as “massas” - daí a importância de Brecht dizer “Eu vivo em tempos sombrios”. Exemplos, aliás, desta prática – dadas às devidas proporções e aos contextos distintos – ainda persistem em nossos dias.

Assinale a alternativa INCORRETA.
a) É possível afirmar que, em ambos os textos, encontra-se presente a referência histórica às práticas de violência e dominação, levadas a cabo pelo governo alemão através de Adolf Hitler, também conhecido como “Führer”.   
b) O conteúdo da poesia de Bertolt Brecht nada tem a ver com o processo histórico de ascensão ao poder de Adolf Hitler e do regime nazista em 1933, haja vista o motivo de sua escrita ser uma crítica veemente ao comunismo de Stálin na então União Soviética.   
c) Uma das razões principais para que Hitler defendesse o uso “repetitivo” dos modernos meios de comunicação da época – especialmente, as rádios – estava na capacidade que eles tinham de conquistar as “massas” a qualquer custo, inclusive ao custo da liberdade de expressão.   
d) Existe uma identificação entre o que denuncia a poesia de Brecht e a passagem analítica do texto de Lenharo, ao citar trechos de Mein Kümpf, de Hitler, na medida em que o silenciamento repressivo que anula o direito ao livre pensar crítico corresponderia ao bombardeio massivo de valores, símbolos e ideias caras ao nazismo, como a propaganda dirigida às massas.   
e) A presença em nossa contemporaneidade de movimentos e grupos de extrema direita, que defendem a ausência de conhecimento crítico, a excessiva limitação da liberdade de pensamento e expressão e o preconceito contra questões de gênero, sexualidade e etnia guardam relativa ligação com a ideologia nazista.   


Resposta:

[B]

[Resposta do ponto de vista da disciplina de História]
Somente a proposição [B] está correta. Há uma relação entre o texto do historiador Alcir Lenharo e a poesia do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, 1898-1956. Vale lembrar que boa parte da produção artística e intelectual de Brecht está vinculada a violência praticada pelo nazismo. Temos como exemplo, “Terror e Miséria no III Reich”, o autor, Bertolt Brecht, traça um panorama da sociedade alemã sob a égide nazista.

[Resposta do ponto de vista da disciplina de Sociologia]
Bertold Brecht era alemão e, como tal, viveu a ascensão nazista durante a década de 1930. O conteúdo da sua poesia está diretamente relacionado com o período de surgimento dos regimes totalitários, revelando sua crítica à política que se delineava à época. Vale ressaltar que ainda hoje existe um forte pensamento extremista, que muitas vezes se aproxima ao totalitarismo.



  
2.   Leia as indicações abaixo sobre as questões indígenas no Brasil:

I
“Logo que cheguei à província do Paraná, de que fui presidente pouco mais de sete mezes, de 28 de setembro de 1885 a 4 de maio de 1886, tive que me avir com os chamados índios de Guarapuava. Vagava pelas ruas de Curityba uma turma semi-nua dessa gente, reclamando ferramentas, roupas, dinheiro, etc., e lamentando-se de haverem sido maltratados por brasileiros e despojados de terras que lhe pertenciam”.

TAUNAY, Visconde de. Entre os Nossos Índios. São Paulo: Melhoramentos. 1931, p. 84.


II
“A antropóloga Manuela Carneiro da Cunha, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, argumenta que: essas reservas superlotadas, cujos recursos naturais não permitem um modo de vida tradicional, são focos permanentes de conflitos, suicídios e miséria. Contrastam tristemente com as aldeias Kaiowá, as tekoha, cujo nome literalmente significa “o lugar onde vivemos segundo nossas regras morais” (Folha de S. Paulo, 19 de novembro de 2014). [...]
Na década de 1970, a Usina Hidrelétrica de Itaipu, no Rio Paraná, cobriu aproximadamente 60 aldeias Guarani em ambas as margens (do lado do Brasil e do Paraguai). Reconhecendo parcialmente sua responsabilidade, o empreendimento binacional devolveu aos Guarani menos de 1% das terras indígenas que foram alagadas. Essas comunidades seguem sem terra, sem o reconhecimento concreto de seus direitos e sem qualquer tipo de reparação. [...]
Apenas 34% dos recursos destinados a ações, como a de demarcação dos territórios indígenas, foram liquidados até 2014”.

RANGEL, Lúcia H. (Coord.). Violência contra os povos indígenas. Relatório. Dados de 2014. Brasília: CIMI, 2015, p.18; 21, 36)


Sobre os indígenas no Brasil, é INCORRETO afirmar.
a) A presença indígena na sociedade brasileira a partir do século XIX teve suas terras preservadas para que não ocorressem novas ações de dizimação como efetuadas no que se denominou de América Portuguesa.   
b) A demora no processo de demarcação de territórios indígenas faz com que atos de violência e sentimento de impunidade frente a essas ações sejam comuns em diferentes regiões do País, inclusive no estado do Paraná.   
c) A existência de reservas e aldeias indígenas não garante a manutenção dessas comunidades, ao contrário, muitas vezes expõe os limites de sua autopreservação.   
d) Atualmente, as diferentes versões e interesses expressos nas disputas territoriais e sobre as condições de vida dos indígenas ganham espaço nos meios de comunicação e nos debates acadêmicos e escolares. Contudo, essa é uma questão que não avançou muito na resolução dos conflitos e desigualdades desse processo.   
e) Devido à grande presença indígena na sociedade brasileira, as questões sobre violência e conflitos em áreas de disputa indígena não ganham notoriedade política e social como deveriam, uma vez que não se trata de um caso isolado e nem uma comunidade específica.   


Resposta:

[A]

[Resposta do ponto de vista da disciplina de História]
Somente a alternativa [A] está correta. Não podemos afirmar que no século XIX teve uma política de demarcação das terras indígenas. Mesmo na segunda metade do século XX, com a criação de reservas indígenas, os nativos perderam muito de suas terras e não conseguem manter seu estilo tradicional de vida, e, ainda assim, algumas diferentes tribos ficaram na mesma reserva indígena. O excerto da estudiosa Lúcia Rangel remete exatamente para esta ideia quando cita a construção da usina hidrelétrica de Itaipu.

[Resposta do ponto de vista da disciplina de Sociologia]
A alternativa [A] contraria todas as outras. Os textos I e II apresentam situações em que os indígenas foram despojados de suas terras, tornando-os mais vulneráveis a situações que podem fazer com que suas culturas desapareçam.



  
3.   Brasil vive momento de 'anomia', diz FHC

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acredita que o Brasil vive um "momento de anomia" - estado que se caracteriza pela ausência de regras - e que é preciso "botar ordem na casa". "Há falta de sentido de organização e autoridade. Em toda a parte”. Questionado sobre o que faria se estivesse no lugar do presidente Michel Temer, FHC disse que "a essa altura, estaria considerando o futuro do Brasil e pensando bem: será que eu tenho condições de governar?". Na sequência, o tucano foi perguntado quanto tempo levaria para fazer essa reflexão. "Não muito. As coisas vão variar com muita velocidade, vão se mover com muita rapidez, eu acho. Sem julgar, mas em termos das condições do Brasil, estamos passando por um momento de... Vou falar em sociologuês, mas é simples... De anomia."

NUCCI, João Paulo. Brasil vive momento de ‘anomia’, diz FHC. O Estado de S.Paulo. 22 mai. 2017. Disponível em: <http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-vive-momento-de-anomia-diz-fhc,70001804232> Acesso em 25 mai. 2017.


Considerando o contexto político apresentado na notícia acima, assinale a alternativa que apresenta, de forma correta, uma interpretação sociológica do contexto brasileiro. 
a) O Brasil vive em uma anomia pela pobreza e desnutrição de sua população.    
b) Ao utilizar o conceito de anomia, Fernando Henrique Cardoso faz referência a uma corrente de pensamento sociológico que tem origem no positivismo de Auguste Comte, que valoriza ideais como a ordem e o progresso.   
c) Fernando Henrique Cardoso é um ex-presidente do Brasil, do PSDB. Sua análise da política tem como objetivo evitar que Lula chegue ao poder nas próximas eleições.    
d) Há uma clara intenção do ex-presidente de criticar o atual presidente, Michel Temer. Assim, Fernando Henrique demonstra que seu objeto é assumir o país através de eleições indiretas.    
e) Ao criticar a governabilidade de Michel Temer e defender o sentido de organização e autoridade, FHC demonstra que tem uma visão política baseada nas ideias de John Locke, ou seja, de que o homem é naturalmente livre.   


Resposta:

[B]

Anomia é um conceito durkheimiano, e significa “ausência de normas, desordem”. Sabendo que Durkheim se inspirou no positivismo, podemos inferir que a alternativa [B] é a correta. Vale ressaltar que outras alternativas também possuem conteúdo plausível, mas nenhuma outra apresenta conteúdo sociológico.



  
4.   “Discursos sobre o sexo não se multiplicaram fora do poder ou contra ele, porém, lá onde ele se exercia e como meio para seu exercício: criaram-se em todo canto incitações a falar; em toda parte, dispositivos para ouvir e registrar procedimentos para observar, interrogar e formular. Desenfurnam-no e obrigam-no a uma existência discursiva”.
Trecho de História da Sexualidade, Vol. I – "A Vontade de Saber" in Sociologia em Movimento (p. 503).


Tendo como referência os estudos sobre sexualidade em “A Vontade de Saber”, no qual o autor se propõe a analisar os discursos de verdade em torno da sexualidade, é CORRETO afirmar sobre essa obra que
a) o objetivo principal da obra foi fazer uma história das condutas, comportamentos e práticas sexuais das sociedades ocidentais.   
b) o tema principal do livro são os problemas de censura e de liberdade sexual nas sociedades ocidentais.   
c) em “A Vontade de Saber”, o discurso sobre repressão sexual moderna é criticado por ocultar a proliferação de discursos a respeito da sexualidade.   
d) Foucault demonstra que os discursos sobre a sexualidade apenas descrevem a natureza reprodutiva humana e não se articulam com quaisquer relações de poder.   
e) em “A Vontade de Saber”, o autor defende a existência de uma verdade sobre o sexo que está escondida nos discursos sobre sexualidade.   


Resposta:

[C]

Do ponto de vista sociológico, podemos afirmar que a questão não apresenta alternativa correta. A obra de Michel Foucault ainda não foi devidamente transposta para o Ensino Médio e muitas questões ainda apresentam imprecisões conceituais. Assim, para o aluno, o ideal em questões como esta é se atentar quase que estritamente ao texto. Nele, o autor afirma que houve uma maior incitação a se falar sobre o sexo. Se pensarmos nessa linha, verificamos que somente a alternativa [C] trata dessa questão. No entanto, vale ressaltar que Foucault não está fazendo uma crítica ao discurso de repressão sexual moderna, mas uma mera constatação: ao mesmo tempo em que a modernidade afirma que o sexo é reprimido, ela está dando condições para que o sexo exista como um problema.



  
5.   Leia o texto a seguir:

A Sociologia surgiu como decorrência de um processo histórico, que culminou com a Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra, e a Revolução Francesa de 1789. Esses dois acontecimentos geraram problemas sociais que os pensadores da época não conseguiram explicar (...). Assim, com o social tornando-se um problema de dimensões nunca vistas, estavam dadas as condições que geraram a necessidade de criar uma nova disciplina científica.

DIAS, Reinaldo. Introdução à Sociologia. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010, p. 19. (Adaptado).


Sobre o assunto tratado no texto, é INCORRETO afirmar que
a) a Sociologia buscou explicar os problemas sociais decorrentes da rápida urbanização, provocada pelas novas tecnologias de produção em massa.   
b) a divisão do trabalho industrial se tornou um importante tema de estudo da Sociologia, pois as tarefas repetitivas e altamente especializadas tiveram como consequência o aumento da desigualdade social.   
c) os primeiros pensadores da ciência sociológica tinham a tarefa de racionalizar a nova ordem social, encontrando soluções para a “desorganização” por meio do conhecimento das leis que regem as relações entre os indivíduos.   
d) os novos papéis sociais, que surgem nesse período, marcam a interdependência entre operários e empresário. Isso será um fator fundamental para se compreenderem as desigualdades produzidas pela relação entre instrumentos de produção (do empresário) e a força de trabalho (do operário), a qual fundamentou a organização social da época.   
e) as novas formas de pensar a sociedade sofreram influência das ciências biológicas. Estas explicavam a sociedade como um conjunto de ações individuais independentes, sendo esses estudos considerados uma referência teórica importante para a Sociologia.   


Resposta:

[E]

A alternativa [E] está incorreta por um detalhe: ainda que tenha sofrido influência das ciências biológicas, a Sociologia nunca viu a sociedade como um conjunto de ações individuais independentes. Pelo contrário, toda ação social é sempre uma ação que leva em conta os outros indivíduos.







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