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Oriente Médio e Palestina

domingo, 15 de abril de 2018

Mercantilismo, Iluminismo, Revolução Industrial e Imperialismo - Gabarito comentado - Prova de História



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1.  
Com base na tabela, é correto afirmar:
a) A industrialização acelerada da Alemanha e dos Estados Unidos ocorreu durante a Primeira Revolução Industrial, mantendo-se relativamente inalterada durante a Segunda Revolução Industrial.   
b) Os países do Sul e do Leste da Europa apresentaram níveis de industrialização equivalentes aos dos países do Norte da Europa e dos Estados Unidos durante a Segunda Revolução Industrial.   
c) A Primeira Revolução Industrial teve por epicentro o Reino Unido, acompanhado em menor grau pela Bélgica, ambos mantendo níveis elevados durante a Segunda Revolução Industrial.   
d) Os níveis de industrialização verificados na Ásia em meados do século XVIII acompanharam o movimento geral de industrialização do Atlântico Norte ocorrido na segunda metade do século XIX.   
e) O Japão se destacou como o país asiático de mais rápida industrialização no curso da Primeira Revolução Industrial, perdendo força, no entanto, durante a Segunda Revolução Industrial.    
 
2.   Brasília foi inaugurada em 1960, poucos anos depois do início de sua construção. Planejada por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, a nova capital do Brasil foi estruturada a partir de dois grandes eixos que se cruzam: o Eixo Rodoviário, em torno do qual estão as áreas residenciais, e o Eixo Monumental, onde se localizam os órgãos governamentais e culturais. Em uma das extremidades do Eixo Monumental, encontra-se a Praça dos Três Poderes.

O nome dessa praça faz referência à teoria
a) da divisão das responsabilidades sobre o país que, com a Constituição de 1891, definiu que o presidente, os governadores e os prefeitos exerceriam o poder de forma compartilhada.   
b) do Estado tripartido, de origem medieval, que definia as funções que deveriam ser desempenhadas pela nobreza, pela burguesia e pelos trabalhadores em benefício da sociedade.   
c) da organização da república, proposta por Platão, em que o presidente, o povo e os deputados debatem a respeito do funcionamento da sociedade.   
d) do Estado moderno europeu, segundo a qual o Senado, a Câmara e a Presidência da República exercem os poderes conferidos pela população por meio do voto direto e secreto.   
e) da separação dos poderes, proposta por Montesquieu, em que o Executivo, o Legislativo e o Judiciário devem exercer os seus poderes de forma independente e equilibrada entre si.   
 
3.   Os direitos civis, surgidos na luta contra o Absolutismo real, ao se inscreverem nas primeiras constituições modernas, aparecem como se fossem conquistas definitivas de toda a humanidade. Por isso, ainda hoje invocamos esses velhos “direitos naturais” nas batalhas contra os regimes autoritários que subsistem.
QUIRINO, C. G.; MONTES, M. L. Constituições. São Paulo: Ática, 1992 (adaptado).

O conjunto de direitos ao qual o texto se refere inclui
a) voto secreto e candidatura em eleições.   
b) moradia digna e vagas em universidade.   
c) previdência social e saúde de qualidade.   
d) igualdade jurídica e liberdade de expressão.   
e) filiação partidária e participação em sindicatos.   
 
4.   “Acontece que Luís XIV provavelmente tinha excelente faro para os negócios — sem falar que o monarca devia achar muito sem graça ver todo mundo vestido de preto constantemente —, pois ele convocou seu Ministro das Finanças, Jean-Baptiste Colbert, para uma conversinha sobre indumentárias. Aconselhado pelo político, o rei proibiu a importação de tecidos estrangeiros e estabeleceu uma gigantesca indústria têxtil no país para suprir as necessidades da população mais abastada. Além disso, Luís XIV e Colbert determinaram que novos modelos de roupas fossem criados duas vezes ao ano com tecidos inéditos.
Assim, os costureiros que atendiam à nobreza passaram a apresentar uma coleção de roupas no inverno e outra no verão — sem se esquecer de incluir acessórios como leques, capas, sombrinhas, casacos etc. entre os itens.
O rei decretou ainda que os nobres que desejassem visitá-lo no Palácio de Versalhes deveriam se vestir apenas com modelos da última moda, e teve a ideia de financiar a produção de catálogos que apresentavam as novas coleções. Dessa forma, a aristocracia francesa e do resto da Europa podia selecionar os itens que desejava comprar.”

Você sabia que Rei Luís XIV da França foi o inventor da alta costura? Por Maria Luciana Rincon.
Disponível em: http://www.megacurioso.com.br/personalidades/75642-voce-sabia-que-rei-luis-xiv-da-franca-foi-o-inventor-da-altacostura.htm. Acesso em: 12 fev 2017.


O Mercantilismo foi uma série de práticas de enriquecimento dos Estados Nacionais entre os séculos XV e XVIII, como exemplo, na França o Rei Luís XIV e seu ministro Colbert tentaram ampliar os ganhos da coroa com o aumento de taxas e também do comércio de artigos de luxo, o chamado Colbertismo.

Acerca das práticas mercantilistas dos Estados Nacionais, marque a afirmativa CORRETA:
a) O protecionismo era aumentar as taxas dos produtos exportados e diminuir dos importados, assim ganharia mais com a venda e facilitaria a compra.    
b) Uma das práticas do Mercantilismo, usada ainda hoje para equilibrar as finanças dos países, é a balança comercial favorável que consiste em exportar mais do que importar para evitar o endividamento e aumentar os ganhos.    
c) Espanha e Portugal foram as primeiras a conquistar colônias e extrair metais para enriquecer, assim conseguiram um excedente que propiciou serem pioneiras no investimento industrial.    
d) O metalismo foi uma prática portuguesa que consistia em acumular metais através da extração de ouro e prata das colônias ultramar, primeiramente descobertos no Brasil.    
e) A Inglaterra e a França se destacaram no comércio de artigos luxuosos, enquanto os ingleses produziam os ricos tecidos, os franceses os compravam para usar em suas roupas, uma espécie de colaboracionismo que perdurou durante todo o período.    
 
5.   Atente ao seguinte excerto:

“O crime [...] consistiu em herdar as piores feições do sistema doméstico num contexto em que inexistiam as compensações do lar: ‘ele sistematizou o trabalho das crianças pobres e desocupadas, explorando-o com uma brutalidade tenaz...’ [...] Na fábrica a máquina ditava as condições, a disciplina, a velocidade e a regularidade da jornada de trabalho, tornando-as equivalentes para o mais delicado e o mais forte”.

Edward P. Thompson. A Formação da Classe Operária Inglesa. Vol. II: A maldição de Adão.
Rio de Janeiro, Paz e Terra. 1987. p. 207.


Considerando os processos de transformação ocorridos na sociedade ocidental, é correto afirmar que esse trecho da obra do historiador inglês Edward P. Thompson se refere à
a) Revolução Gloriosa, ocorrida na Inglaterra entre 1688 e 1689, que garantiu o fim do absolutismo na Inglaterra e possibilitou o desenvolvimento social e econômico daquele país.   
b) Revolução Francesa, que no final do século XVIII criou um novo modelo social e econômico para o mundo ocidental.   
c) Revolução Industrial, que, principiando no século XVIII, estabeleceu novas formas de organização do trabalho na sociedade capitalista.   
d) Revolução Haitiana, que teve início em 1791 e marcou a independência do país caribenho do domínio francês, mas colocou-o sob o controle do capital industrial inglês.   
 
6.   (...) Em termos de produtividade econômica, a transformação social foi um êxito imenso; em termos de sofrimento humano, uma tragédia, aumentada pela depressão agrícola depois de 1815 que reduziu o pobre rural à miséria mais desmoralizadora (...). Porém, do ponto de vista da industrialização havia consequências benéficas, pois uma economia industrial necessita de trabalhadores, e onde se podia obtê-los senão no antigo setor não industrial?

Hobsbauwn, Eric. A Revolução Industrial. In As Revoluções Burguesas.


No trecho acima, o autor analisa consequências da Revolução Industrial na Inglaterra. Sobre o texto e o contexto, é correto afirmar que
a) a Revolução Industrial na Inglaterra marcou a passagem da sociedade rural para a industrial, apontando que, mesmo antes da introdução das máquinas, as manufaturas domésticas sediadas no campo tendiam a desaparecer pela falta de competitividade de seus produtos.   
b) a tendência à estabilização das populações campesinas e de pequenos burgueses, no interior rural inglês, foi um empecilho que acabou por gerar medidas governamentais, sancionadas pelo Parlamento a fim de solucionar tal problema social.   
c) com os cercamentos dos campos, no século XVIII, e pela consequente expropriação dos trabalhadores de seus meios de trabalho, o país contava com um enorme contingente de mão de obra desempregada nas cidades, disponível para o trabalho industrial.   
d) a grave crise agrícola de 1815, acompanhada pela epidemia de peste bubônica que atacou, principalmente, o interior agrícola do país, acabou por gerar um grande êxodo rural e um enorme fluxo populacional, disposto a trabalhar nas cidades, mesmo com baixo índice salarial.   
e) a ganância dos grandes proprietários de terra ingleses, interessados em exportar seus produtos para os novos centros industriais do país, acabou por ocasionar a situação de penúria, relatada no texto, em que se encontrava a população rural na época.   
 
7.   Sobre os processos de industrialização é correto afirmar que: 
a) No final do século XIX ocorreu a chamada “Segunda Revolução Industrial”, com a diversificação do uso da energia elétrica, que permitiu o desenvolvimento do rádio e do telefone; assim como a invenção do motor à explosão, que permitiu o surgimento do automóvel e do avião.    
b) A produção de bens no antigo Egito era realizada por artesãos que gozavam de boa reputação em toda a sociedade, sendo famosos e bem remunerados por isso.    
c) A moenda da cana-de-açúcar, no Brasil colonial, era realizada com base no trabalho assalariado e na produção em série, visando diminuir o preço do produto para vendê-lo em grande quantidade para o mercado interno.    
d) A chamada Revolução Industrial iniciou-se na Alemanha, graças às inovações produzidas nas universidades que aplicaram os conhecimentos em empresas públicas para atender à melhoria das condições de vida da classe trabalhadora.    
e) No século XX ficou comprovada a tese de que, na divisão internacional do trabalho, alguns países com vocação agrária podiam se tornar economicamente desenvolvidos, sem que houvesse indústrias em seu território.    
 
8.   Os europeus estavam convencidos de que a África seria um grande mercado para os produtos de sua indústria a partir do momento que se civilizasse, isto é, que adotasse as crenças, os valores e os modos de vida dominantes na Europa. Contavam para isso com a ação dos missionários cristãos e dos comerciantes europeus.

Alberto da Costa e Silva. A África explicada aos meus filhos, 2008.


O texto expõe a combinação de estratégias e interesses europeus na colonização da África, a partir do final do século XVIII. Entre essas estratégias, é correto citar
a) o respeito às tradições locais e a assimilação de princípios éticos e morais dos nativos.   
b) a negociação com os líderes locais e a defesa da democracia política.    
c) a catequização e a difusão de discursos de supremacia racial e cultural.   
d) a militarização dos conflitos e o emprego sistemático de armas de destruição em massa.    
e) o endosso ao sincretismo religioso e o estabelecimento de laços diplomáticos.    
 
9.   A industrialização do continente europeu marcou um intenso processo de expansão econômica. O crescimento dos parques industriais e o acúmulo de capitais fizeram com que as grandes potências econômicas da Europa buscassem a ampliação de seus mercados e procurassem maiores quantidades de matéria-prima disponíveis a baixo custo. Foi nesse contexto que, a partir do século XIX, essas nações buscaram explorar regiões na África e Ásia.

Disponível em: http://mestresdahistoria.blogspot.com.br/2011/04/aprenda-as-diferencas-entre-o.html
Acesso em: 14/09/2015, às 14h06min.


Comparando o imperialismo do século XIX com o colonialismo do século XVI, podemos concluir que
a) o imperialismo do século XIX esteve voltado para a procura de mercados consumidores de produtos industrializados e fornecedores de matéria-prima.   
b) o colonialismo do século XVI buscava colônias para instalar o excedente populacional e novas áreas de investimentos de capitais industriais.   
c) o imperialismo do século XIX demonstrou respeito em relação aos povos das colônias conquistadas, preservando seus costumes e sua identidade cultural.   
d) o imperialismo do século XIX se dedicou à busca de especiarias, gêneros tropicais e metais preciosos, enquadrando-se no Mercantilismo.   
e) o colonialismo do século XVI limitou-se à costa africana, enquanto o imperialismo do século XIX voltou-se somente para a América do Norte.   
 
10.   Ao longo do século XIX, diversos países praticaram uma política de expansionismo imperialista que interferiu na trajetória histórica de sociedades em todos os continentes. Sobre esse processo, assinale a única alternativa correta.
a) O expansionismo, nesse momento, estava associado ao desenvolvimento da industrialização e à expansão do capital financeiro, o que significava ampliar o mercado consumidor, garantir o controle sobre áreas fornecedoras de matérias-primas estratégicas e encontrar novas áreas de investimento.   
b) A principal justificativa desse expansionismo foi a ideia de civilização, tendo os povos conquistados acolhido os conquistadores como seus salvadores frente a um destino de pobreza e miséria.   
c) A relação econômica entre a metrópole e a colônia estava baseada na pratica do monopólio comercial que os primeiros exerciam sobre os segundos.   
d) O controle das áreas coloniais nesse momento obedecia a uma lógica econômica e, por isso, não houve significativos deslocamentos de população entre as regiões metropolitanas e coloniais.   
e) A resistência ao colonialismo no século XIX foi vitoriosa, pois as populações locais conseguiram articular alianças políticas e militares que impediram a vitória das potências industriais.   
 
Gabarito: 

Resposta da questão 1:
 [C]

A alternativa [C] está correta porque o Reino Unido destacou-se na liderança da Primeira Revolução Industrial, mantendo sua expressiva produção também durante a Segunda Revolução, fato ocorrido também com a Bélgica, embora em menores proporções. As alternativas incorretas são: [A], porque a industrialização acelerada da Alemanha e dos Estados Unidos foi expressiva na Segunda Revolução; [B], porque Espanha, Itália e Rússia tiveram desempenho industrial aquém dos países europeus setentrionais e Estados Unidos; [D], porque Índia e China registraram decréscimo em sua produção industrial; [E], porque o Japão aumentou sua produção industrial na Segunda Revolução.  

Resposta da questão 2:
 [E]

Somente a proposição [E] está correta. Em meados do século XVIII, o filósofo francês Montesquieu escreveu a obra “O Espírito das Leis” um clássico dentro do eixo temático vinculado à Política. Neste livre, o pensador critica o absolutismo e a centralização do poder e defende a divisão do poder em três partes (Executivo, Legislativo e Judiciário) que devem atuam de maneira equilibrada e independente.  

Resposta da questão 3:
 [D]

Na luta contra o Absolutismo, o Iluminismo surgiu como o principal movimento revolucionário. Combatendo as injustiças do Antigo Regime, como a concentração de poder nas mãos dos monarcas e o Direito Divino dos Reis, os filósofos iluministas criaram teses que defendiam a igualdade de todos perante a lei, a soberania dos povos e o direito de livre expressão das pessoas.  

Resposta da questão 4:
 [B]

Somente a alternativa [C] está correta. No início da Idade Moderna, os Estados Nacionais Modernos através de seus monarcas criaram uma política econômica chamada Mercantilismo cujo objetivo era angariar recursos para o Estado. Entre as principais características do Mercantilismo estão o protecionismo, balança comercial favorável, metalismo e uma forte intervenção do Estado na economia.  

Resposta da questão 5:
 [C]

Somente a alternativa [C] está correta. O historiador inglês Edward Thompson na sua obra clássica intitulada “A Formação da Classe Operária Inglesa” faz referência às transformações provocadas pela Revolução Industrial que teve início na Inglaterra no final do século XVIII. A máquina aumentou a produção e a jornada de trabalho, alterou o ritmo da fábrica, introduziu a disciplina mudando a concepção de tempo com a necessidade do relógio. Era a consolidação do sistema capitalista com o surgimento da classe operária e a separação entre capital e trabalho.  

Resposta da questão 6:
 [C]

Uma das explicações para o pioneirismo inglês na primeira Revolução Industrial eram os cercamentos rurais: grandes proprietários de terra “cercavam” os lotes de terra dos pequenos produtores rurais e os expulsavam do campo, o que produzia elevado êxodo rural, ainda que forçado. Por isso, era grande a oferta de mão de obra nas cidades inglesas.  

Resposta da questão 7:
 [A]

A Segunda Revolução Industrial, também conhecida como Revolução do Aço e da Eletricidade, trouxe como inovações que melhoraram a produção, os transportes e as comunicações, o uso da eletricidade e a invenção do motor de combustão interna.  

Resposta da questão 8:
 [C]

Somente a alternativa [C] está correta. O excerto aponta para algumas estratégias e interesses dos europeus sobre o continente africano. A África era concebida como um mercado consumidor promissor, para isso, era necessário realizar um processo de aculturação que poderia ser feito pelos missionários cristãos e comerciantes europeus.  

Resposta da questão 9:
 [A]

A questão aponta para o Imperialismo que ocorreu a partir da segunda metade do século XIX quando as potências capitalistas industrializadas saíram em busca de matéria-prima e mercado consumidor. As vítimas foram a África, Ásia e Oceania. A Europa passava pela Segunda Revolução Industrial, aço, petróleo e eletricidade, surgindo à necessidade de expandir para escoar o excedente populacional, investir capital, busca de matéria-prima e mercado consumidor.  

Resposta da questão 10:
 [A]

O principal objetivo das nações imperialistas no século XIX era a busca por mercados consumidores e matérias-primas.  


sábado, 14 de abril de 2018

Desenvolvimentismo, Cepal, ISEB e História do Brasil


Você sace qual instituto, criado em 1955, tornou-se formulador teórico de nosso nacional desenvolvimentismo? Sabe qual a sua relação com o pensamento da CEPAL?
Nesse pequeno vídeo falaremos sobre isso.
Vamos à aula de hoje?
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terça-feira, 10 de abril de 2018

Primeira República - Questões discursivas com gabarito comentado


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1.   Leia o trecho a seguir.

A cada dia as posições se radicalizavam. No governo liberal de Ouro Preto foi criada a Guarda Negra, espécie de força paralela ao exército para proteger a monarquia. (...) a situação era de fato paradoxal. Os ex-escravizados guardavam lealdade à monarquia e opunham-se aos republicanos, chamados de ‘os paulistas’ (...) A partir do segundo semestre [de 1889], a cada dia um novo acontecimento insistia em desmentir a normalidade. (...) Os jornais também não davam trégua (...) Mas o medo maior era o descontrole, e não por acaso o Partido Republicano Paulista começou a frequentar os quartéis, arquitetando uma contrarrevolução preventiva que visava garantir as estruturas sociais. Enquanto isso, os militares encontravam-se em seu clube, para começar a confabular. Na agenda apertada do golpe, os dias passavam rápido (...)

SCHWARCZ, L. & STARLING, H. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, p. 312-314.


Considerando esse texto e com base em seus conhecimentos:

a) Analise a atuação de DOIS atores sociais envolvidos no contexto da queda da monarquia no Brasil.
b) A queda da monarquia no Brasil em 1889 pode ser considerada um golpe? Justifique sua resposta.  


Resposta:

a) Grupos contrários à Monarquia durante o Segundo Reinado, 1840-1889. O exército que após o fim da Guerra do Paraguai, 1865-1870, ganhou consciência enquanto corporação, adotou ideias Positivistas e defendeu o fim da Monarquia e a adoção de uma República com poder político centralizado. A Igreja que desde a constituição de 1824 estava submetida ao poder do Estado através do Padroado e Beneplácito. Na década de 1870 dois bispos foram presos desgastando ainda mais a relação entre Estado e Igreja. Desta forma, esta instituição não tinha mais interesse na permanência da Monarquia no Brasil contribuindo para a implantação da República que adotou o Estado laico. A Burguesia cafeeira paulista estava incomodada com a centralização do poder nas mãos do monarca através do poder Moderador e apoiou uma República com viés federalista, ou seja, dando autonomia para os estados da federação. Classe média urbana interessada em uma República com uma natureza modernizante criando indústrias conforme a atuação de Rui Barbosa na fracassada política do Encilhamento.

b) Sim, o 15 de Novembro de 1889 foi um golpe considerando que a constituição brasileira de 1824 estabeleceu uma monarquia hereditária e que embora ocorresse uma modernização do país surgindo uma elite forte era possível negociar dentro do âmbito da monarquia como aconteceu com a Inglaterra em 1689 que substituiu uma monarquia absolutista para uma monarquia parlamentarista. Poderia elaborar outra constituição para o país, por exemplo. Segundo a antropóloga e historiadora Lilia Moritz Schwarcz, autora de As barbas do imperador e do recente Brasil: uma biografia. “A gente aprende como historiador que não vale só você seguir sua ideologia”, diz sobre a ideia de que o que não corresponde a uma idealização é tratado como revolução e o que não corresponde, é golpe. “É golpe quando você tem uma movimentação política que coloca fim a um Estado legalmente constituído. A gente pode concordar ou não com a monarquia, mas era constitucional”.



  
2.   Observe a gravura:


A gravura faz ironia a um importante movimento cultural, ocorrido na capital paulista, inserido no contexto de comemoração do centenário da independência do Brasil. Os seus integrantes propunham, entre outras coisas, a superação do “antigo” pelo “novo”.

A partir desse enunciado, faça o que se pede.

a) Indique o movimento cultural e a natureza da atividade profissional de seus integrantes, apontando a principal reivindicação feita por eles.
b) Caracterize o cenário econômico e político do país no contexto da Primeira República, período em que se realizou o movimento cultural retratado na charge.  


Resposta:

a) Trata-se da Semana de Arte Moderna de 1922, constituída por diversos artistas que criticavam o velho padrão estético brasileiro ao copiar o modelo europeu. A Semana de Arte Moderna defendia a valorização do nacional e do popular.
b) A década de 1920 pode ser considerada de contestação aos valores vigentes. No plano político ocorreram as revoltas tenentistas que criticavam a velha política, arcaica, corrupta, pautada na política do café com leite, política dos governadores, coronelismo, etc. No plano econômico, o modelo agrário exportador começou a se esgotar e, em 1930, Vargas mudou o modelo econômico do Brasil de agrário exportador para a política de substituição de importações.



  
3.   E a mísera, sem chorar, foi refugiar-se, junto com a filha, no “Cabeça de Gato” que, à proporção que o São Romão se engrandecia, mais e mais ia-se rebaixando acanalhado, fazendo-se cada vez mais torpe, mais abjeto, mais cortiço, vivendo satisfeito do lixo e da salsugem que o outro rejeitava, como se todo o seu ideal fosse conservar inalterável, para sempre, o verdadeiro tipo da estalagem fluminense, a legítima, a legendária; aquela em que há um samba e um rolo por noite; aquela em que se matam homens sem a polícia descobrir os assassinos; viveiro de larvas sensuais em que irmãos dormem misturados com as irmãs na mesma lama; paraíso de vermes, brejo de lodo quente e fumegante, donde brota a vida brutalmente, como de uma podridão.

AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. São Paulo: Ática, 2011, p. 213.


a) Os cortiços da cidade do Rio de Janeiro, tema da obra de Aluísio Azevedo, estiveram no centro das preocupações das políticas públicas de reformulação urbana nos primeiros anos do século XX. Apresente um dos objetivos do Estado, sobretudo na capital nacional, com estas políticas e cite uma das ações atreladas ao referido processo.
b) Identifique o movimento de resistência relacionado à saúde pública e ao processo de (re)urbanização da capital brasileira no início do século XX.
c) No Brasil, ao longo do século XX, sobretudo a partir da década de 1930, além da urbanização intensifica-se também o crescimento dos aglomerados subnormais (favelas). Cite e explique uma causa responsável pelo crescimento desses aglomerados urbanos.


Resposta:

a) No início do século XX, as cidades brasileiras, de forma geral, não contavam com sistemas eficazes de esgoto e de abastecimento de água, as ruas não tinham calçamento ou iluminação elétrica e os transportes públicos eram quase inexistentes. Outro problema enfrentado em muitas cidades brasileiras era a frequência de epidemias de cólera, varíola, febre amarela e peste bubônica, por vezes relacionadas às condições de higiene a que estavam submetidas as populações urbanas. Durante a gestão de Rodrigues Alves, 1902-1906, o governo passou a intervir mais diretamente na tentativa de modificar essas condições precárias. O objetivo do Estado era desenvolver um ideal modernizador, a começar pela capital nacional, capaz de se alinhar aos hábitos culturais oriundos da Europa, principalmente da França: falar, vestir, comer, morar e pensar como um europeu. Neste contexto, havia um esforço civilizatório em adaptar a complexa realidade brasileira aos padrões da Belle Époque. As elites republicanas desejavam reformar o Brasil seguindo modelos apresentados pelos países industrializados. Havia um esforço para eliminar tudo o que representasse entrave ao ideal de progresso e fugisse aos padrões de beleza e higiene. Entre as ações vinculadas ao referido processo, podemos citar:

- Reforma Pereira Passos; “Bota-abaixo”; destruição dos cortiços, abertura e alargamento de praças, ruas e avenidas; construção de grandes prédios públicos (Biblioteca Nacional, Teatro Municipal, Escola Nacional de Artes e Ofícios/Museu Nacional de Belas Artes).
- Aterros na orla da capital nacional; obras de abastecimento e saneamento.
- Campanhas sanitaristas; vacinação pública.
- Deslocamento da população dos cortiços para morros e bairros periféricos sem amparo de políticas públicas assistenciais; processo de “favelização” dos morros da cidade; movimentos de resistência; ausência de políticas públicas habitacionais para a população atingida pelas reformas urbanas.

b) Revolta da Vacina, RJ, (1904).

c) Entre as causas responsáveis pelo crescimento dos aglomerados urbanos podemos citar:

1) Falta ou ineficiência de políticas públicas. A favelização no Brasil ocorre, sobretudo, devido ao acelerado e/ou ao desordenado crescimento das áreas urbanas decorrentes, principalmente, dos problemas de planejamento e de má gestão dos espaços urbanos.
2) Migrações. No Brasil, os aspectos econômicos foram responsáveis pelas migrações internas. Ao longo do século XX, a industrialização e o êxodo rural impulsionaram esse processo. Como, na sua maioria, esses migrantes possuíam baixo poder aquisitivo, passaram a ocupar áreas menos providas de infraestrutura, como favelas (ou aglomerados subnormais).
3) Especulação imobiliária. O preço dos terrenos nas cidades é, de forma geral, caro e inviável para as populações carentes, que ficam muitas vezes à mercê da especulação imobiliária. Assim, as populações assalariadas e de menor poder aquisitivo se instalam em áreas periféricas e menos valorizadas, contribuindo para a formação e/ou o aumento das favelas.
4) A baixa renda, o desemprego e/ou o subemprego estão na origem de um problema de configuração da paisagem das cidades, uma vez que, não podendo pagar as prestações ou o aluguel de imóveis em áreas centrais, muitas pessoas buscam áreas periféricas, nas quais as prestações ou os aluguéis são mais acessíveis, o que contribui para a expansão das favelas.


segunda-feira, 9 de abril de 2018

Questões discursivas com gabarito Comentado - História Geral


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1.   Leia o excerto a seguir:

“A Grécia se reconhece numa certa forma de vida social, num tipo de reflexão que define a seus próprios olhos sua originalidade, sua superioridade sobre o mundo bárbaro. No lugar do Rei cuja onipotência se exerce sem controle, sem limite, no recesso de seu palácio, a vida política grega pretende ser o objeto de um debate público em plena luz do sol, na ágora, da parte de cidadãos definidos como iguais e de quem o Estado é a questão comum [...]”.

(VERNANT, Jean-Pierre. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: DIFEL, 2013.)


Tendo como base as afirmações expostas por Vernant, identifique os traços principais da polis grega, o sistema político que ela substituiu e os principais problemas que ela apresenta.


Resposta:

Durante o período Arcaico da Grécia, VIII-VI a.C, predominava um governo aristocrático monopolizado pela elite agrária que possuía o domínio político e econômico. No período Clássico, V-IV a.C, foi implantada a democracia e o poder foi transferido para os cidadãos. A ágora, praça pública, passou a ser o cenário do debate político dos cidadãos visando criar leis para a polis. Vale lembrar que polis era uma cidade estado que possuía autonomia política, a democracia era direta e participativa e a cidadania era muito restrita, apenas 10% da população exercia seus direitos políticos. Mulheres, escravos e estrangeiros estavam excluídos.



  
2.   Observe a imagem:


Durante o domínio da dinastia abássida (749-1258 d.n.e.), conheceu-se um período de desenvolvimento significativo da filosofia, das ciências e das artes. Na atualidade, é de consenso geral que o renascimento europeu é herdeiro de todo esse desenvolvimento, mostrando os laços civilizacionais entre Oriente e Ocidente que na época pareciam estar separados por rivalidades políticas e religiosas. Usando a imagem como referência e com base no conhecimento da cultura e sociedade muçulmana daquela época:

- identifique o centro político desde onde se exerceu o domínio abássida;
- mencione três das instituições mais importantes que promoveram esse desenvolvimento;
- explique o papel das bibliotecas, em particular a Casa da Sabedoria, para a preservação do patrimônio científico e cultural do mundo antigo.


Resposta:

No ano de 750, a dinastia Omíada foi substituída pela dinastia Abássida e a cidade de Bagdá tornou-se a capital. Durante o longo reinado dos Abássidas, 750-1258, ocorreu um grande desenvolvimento cultural e científico através do surgimento de centros de estudos, Academias, criação de Bibliotecas como a Casa da Sabedoria que atuou principalmente na tradução de obras de grande relevância. Surgiram cidades contribuindo para os estudos de Teologia, Direito, História, Economia, etc. A arquitetura se destacou com a construção de palácios, mesquitas e escolas. A literatura recebeu grande influência Persa com destaque para a obra “As mil e uma noites”. A ciência foi um campo destacável da cultura árabe, recebendo a influência dos gregos desenvolveram a Matemática, Física, Química, Medicina. Na Filosofia, preservaram os conhecimentos de Platão e Aristóteles. Avicena e Averrois deram grande contribuição. As bibliotecas, centro de estudos, Academias, observatórios contribuíram para a preservação de um grande patrimônio nas mais diversas áreas do saber do mundo antigo e medieval uma vez que as obras eram traduzidas. A Casa da Sabedoria é um grande exemplo de instituição que contribuiu para a preservação de saberes.



  
3.   Leia o seguinte excerto:

“O explorado percebe que a sua libertação pressupõe todos os meios e desde logo a força. Quando, em 1956, depois da capitulação do Sr. Guy Mollet diante dos colonos da Argélia, a Frente Nacional de Libertação, num panfleto célebre, constatou que o colonialismo só larga a presa ao sentir a faca na goela, nenhum argelino achou realmente esses termos demasiado violentos. O panfleto não fazia senão exprimir o que todos os argelinos sentiam intimamente: o colonialismo não é uma máquina de pensar, não é um corpo dotado de razão. É a violência em estado bruto e só pode inclinar-se diante de uma violência maior”.

(FANON, Frantz. Os condenados da Terra. Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1968. p. 46.)


A guerra da Argélia foi um dos eventos mais violentos protagonizados na África após a Segunda Guerra Mundial. Nesse contexto, considerando o excerto lido e com base nos conhecimentos sobre as lutas pela independência africana, identifique o país europeu que colonizou esse país africano e mencione pelo menos dois aspectos que caracterizaram essa guerra. Do mesmo modo, mencione dois aspectos importantes do papel que a Argélia teve para os demais movimentos de libertação africanos.


Resposta:

A Argélia foi colonizada pela França por 132 anos. A sangrenta Guerra da Argélia, 1954-1962, contra a França, teve como objetivo conquistar a autonomia política, isto é, fazer a independência e, ao mesmo tempo, romper com décadas de exploração da França diante dos argelinos bem como das riquezas daquele país Africano. Esta guerra que culminou na independência da Argélia serviu como inspiração para o continente Africano em função do êxito do movimento além das importantes táticas de guerrilhas utilizadas pelos argelinos.



  
4.   Leia os dois excertos que seguem. O primeiro refere-se à memória do Holocausto, e outro, à “marcha de supremacistas brancos” em Charlottesville, ocorrida recentemente nos Estados Unidos da América.

“Tudo foi dito sobre o que faz a especificidade do horror dos campos, dos vagões até as câmaras de gás, dos cães de guarda aos militares uniformizados, dos miradouros das sentinelas aos arames farpados, da fome ao frio, das agressões às humilhações [...]. Em compensação, foi mantido o silêncio sobre os convites feitos por esses mesmos homens para que não seja esquecido e seja levado em consideração o que foi possível aprender lá, de modo a transmitir aqui. Pois o inferno vivido e habitado torna legítimo e desejável um mundo onde se tentaria evitar o retorno daquilo que de perto e de longe possa assemelhar-se a ele”.

(Michel Onfray. A Política do Rebelde – tratado de resistência e insubmissão. Rio de Janeiro, Rocco, 2001, p. 36.)

A marcha de supremacistas brancos chegou a ser declarada pela prefeitura como ato ilegal antes de seu início, sem sucesso. Os radicais racistas, incluindo elementos do velho grupo de extrema direita Ku Klux Klan, portavam bandeiras confederadas, entoavam slogans nazistas e se armaram de capacetes, escudos e cassetetes. Acredita-se até que tenham utilizado gás pimenta e lacrimogêneo contra seus oponentes. Antes do meio-dia já se havia desencadeado a situação de violência, concentrada no campus da Universidade da Virgínia. Entre os contramanifestantes se destacava o agrupamento antirracista Black Lives Matter (as vidas dos negros importam). Os protestos eram de uma violência desenfreada. E o governo estadual ativou o estado de emergência e deslocou um forte contingente de unidades antidistúrbios.

(LLANO, Pablo de. Três mortos na jornada de violência provocada por grupos racistas norte-americanos. in.: El País Brasil. 13 agosto 2017. Disponível em: . Acesso em: 16 ago 2017.)


Relacione os dois textos, tendo como base a importância do cultivo da memória, problematizando cada um dos eventos e identificando que implicações um traz ao outro.


Resposta:

O cultivo da “Memória Histórica” é de fundamental importância para o presente e o futuro de um país. A recuperação da Memória contribui para não se esquecer das grandes tragédias que ocorreram no passado, evitar e inibir novos conflitos e violências. Desta forma, a memória caminha com a ideia de reconciliação nacional, caminha com a democracia contribuindo para a afirmação da humanidade de todos. A memória segundo o primeiro texto, Michel Onfray, fazendo referência ao Holocausto, (...)“pois o inferno vivido e habitado torna legítimo e desejável um mundo onde se tentaria evitar o retorno daquilo que de perto e de longe possa assemelhar-se a ele”. O segundo texto faz referência a Marcha Supremacista ocorrida no ano de 2017 nos EUA. Trata-se de um movimento de extrema direita, racista e preconceituoso contra imigrantes, judeus, negros, homoafetivos. Esta marcha é de certa forma, a permanência da violência praticada no contexto da Guerra de Secessão, 1861-1865, e do conflito entre negros e brancos. Tanto o holocausto quanto o forte racismo nos EUA através da atuação da Ku Klux Klan, são tragédias que a Memória deve impedir que retornassem.  



  
5.   A Carta do Atlântico, assinada em 1941 pelo presidente dos Estados Unidos Franklin D. Roosevelt e o Primeiro Ministro britânico Winston Churchill, declarava no seu artigo Quinto: “Desejam promover, no campo da economia, a mais ampla colaboração entre todas as nações, com o fim de conseguir, para todos, melhores condições de trabalho, prosperidade econômica e segurança social”. E no seu artigo Sexto: “Depois da destruição completa da tirania nazista, esperam que se estabeleça uma paz que proporcione a todas as nações os meios de viver em segurança dentro de suas próprias fronteiras, e aos homens em todas as terras a garantia de existências livres de temor e de privações.

Carta do Atlântico – 1941, em Documentos Internacionais da Sociedade das Nações (1919 a 1945), Biblioteca Digital dos Direitos Humanos, USP. Disponível em: . Acesso: 30.08.2016.


Com base nos artigos citados dessa carta e nos conhecimentos sobre a Segunda Guerra Mundial, escreva um texto comentando três aspectos envolvidos na participação das colônias africanas na guerra, mencionando três consequências dessa participação para os movimentos de independência dessas colônias.


Resposta:

A questão menciona o envolvimento do continente Africano na Segunda Guerra Mundial. O fator relevante foi um forte sentimento nacionalista nas colônias africanas e deve ser compreendido pelo fato de que não estavam motivados pela fúria de seus colonizadores em caso de resistência, mas sim, pela vontade de defender seus territórios, povos, culturas. A participação dos africanos nas lutas da guerra tem como pano de fundo a esperança de uma abertura democrática, ou seja, a descolonização. Isso acabou acontecendo quando os aliados declararam guerra ao eixo fascista. Porém, vale lembrar que muitos africanos ligados às colônias italianas foram recrutados, forçadamente, para lutar em frentes de batalha na Líbia, Oriente Médio, Indochina e Birmânia. Após a Segunda Guerra, as radicalizações políticas seriam realidade nas colônias africanas, em especial na Tunísia, Marrocos e Argélia. Os partidos nacionalistas incentivadores de movimentos como “negritude” e “pan-africanismo” começaram a sonhar com a conquista da independência, já que, em meio à guerra, o conflito fora pela defesa da democracia. Democracia esta que, agora, estava sendo reivindicada pelos povos africanos que lutaram por ela. Os movimentos nacionalistas ocorridos nas quatro primeiras décadas do século XX estimularam as solicitações de independência, cuja consolidação ocorreu nas décadas de 1960 e 1970.  




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