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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Sugestão de estudo para a prova de História do 3º bimestre



Conforme combinado,  está liberado  o simulado para a prova.   O gabarito, assim como os respectivos comentários, serão liberados 3 dias antes do exame.


Turmas de 1º ano técnico



Turmas do 2º ano técnico
Simulado e vídeos


                                          Descolonização





                                          Oriente médio



Bons Estudos!!

Professor Arão Alves

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

História do Brasil - Questões discursivas com gabarito comentado


Grupo de estudo para provas específicas: https://www.facebook.com/groups/660763183949872/


1.   “(...) o desencanto com a Nova República era provocado principalmente pelo fracasso dos vários planos econômicos que não conseguiram domar o dragão da inflação. Depois do breve sucesso do Plano Cruzado, de 1986, a arrancada dos preços disparou, esmagando o poder de compra dos brasileiros, especialmente dos mais pobres.”

(Marly Motta, “Rumo ao planalto”. Disponível em http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos-revista/especial-nova-republicarumo- ao-planalto. Acessado em 09/08/2013.)


a) Explique o que é inflação.
b) Quais os efeitos do congelamento de preços, base do Plano Cruzado, para a economia brasileira do período?


Resposta:

a) A inflação é o aumento de preços dos produtos que pode ser ocasionada por desequilíbrios econômicos variados, um deles é a elevação da demanda (consumo) sem ocorrer aumento proporcional no investimento e na produção. Outros fatores como a atuação de oligopólios (poucas empresas produzindo um tipo de produto) com formação de cartel (preços combinados em patamares elevados para obtenção de maior lucratividade), excesso de protecionismo contra produtos importados e até fatores ambientais (seca severa com redução da oferta de produtos agrícolas) podem interferir na elevação dos preços.

b) Em 1986, com a retomada da democracia no país (Nova República) e durante do governo de José Sarney, foi implantado o Plano Cruzado para combater a inflação elevada. O congelamento de preços surtiu resultado apenas no curto prazo, uma vez que a intervenção muito brusca na economia fracassou. Entre os efeitos do plano, a retenção de produtos pelos empresários causando desabastecimento de alguns produtos, a troca da moeda, a pequena melhora da distribuição de renda no período de queda inflacionária e o posterior retorno da inflação elevada.  



  
2.   A região metropolitana do litoral sul paulista é constituída pelos municípios representados no mapa:



Ao longo do tempo, essa região conheceu diferentes formas de ocupação territorial e de desenvolvimento. Identifique o tipo de ocupação territorial e a forma de desenvolvimento que ocorreram, nessa região, tendo como referência os anos de 1530, 1920, 1950 e 2010.  


Resposta:

[Resposta do ponto de vista da disciplina de Geografia]
O mapa representa a Região Metropolitana da Baixada Santista na atualidade. Em 1530, a ocupação territorial se dava basicamente por etnias indígenas, começando a ter a primeira forma de ocupação portuguesa com as primeiras iniciativas de produção de cana de açúcar na região, concentradas em São Vicente. Embora já houvesse a presença de portugueses na região para a extração de pau-brasil em um sistema de feitorias, antes de 1530, é apenas a partir desta data que de fato passa a haver uma ocupação europeia na região. Em 1920, no contexto de intensa imigração europeia para o Brasil, a ocupação se dá principalmente pelo estabelecimento do porto de Santos e consequente escoamento da produção cafeeira do Oeste Paulista para exportação. Neste momento, ocorre uma urbanização mais intensa de Santos e São Vicente e também surgem novos núcleos urbanos ao longo do litoral. Em 1950, devido ao crescimento industrial do país, a ocupação urbana da região se torna mais efetiva com a criação do polo industrial de Cubatão, com indústria siderúrgica (Cosipa) e indústrias petroquímicas. A urbanização e a industrialização avançaram sobre espaços ocupados por populações indígenas, como os guarani, restringindo cada vez mais os seus territórios. Também avançou o processo de desmatamento dos biomas de Mata Atlântica e Formações Litorâneas (Mangue e Restinga). Em 2010, consolida-se a Região Metropolitana da Baixada Santista a partir da interação socioeconômica entre as cidades e do fenômeno da conturbação. A região constitui um importante polo industrial, terciário (serviços, comércio e turismo) e portuário, que tende a ser dinamizado com a perspectiva de exploração do petróleo da camada pré-sal. Um dos fenômenos mais recentes é o avanço da especulação imobiliária e o agravamento de problemas de mobilidade urbana, além dos problemas socioambientais.

[Resposta do ponto de vista da disciplina de História]
O mapa retrata a Região Metropolitana da Baixada Santista. Em 1530 havia diversas etnias indígenas na região. Porém, neste contexto, o comércio das especiarias entrou em declínio e Portugal enviou para o Brasil Martim Afonso de Souza para viabilizar o processo de colonização portuguesa. Daí surgiu as Capitanias hereditárias que dividiram o Brasil em lotes de terras. Nesta região se estabeleceu a Capitania de São Vicente que se destacou na produção da cana de açúcar. Em 1920, no contexto da República Velha, 1889-1930, havia uma política de incentivo a imigração europeia para o Brasil intensificando a ocupação na região. O Porto de Santos se destacou para escoar a produção de café do “Oeste Paulista”. Na década de 1950, no segundo governo de Vargas, 1950-1954, e no governo de JK, 1956-1960, ocorreu um forte crescimento industrial gerando forte ocupação da região. Surgiu um polo industrial através de siderúrgica e petroquímica. Esta modernização contribui para dizimar culturas e povos nativos. Em 2010, consolidou-se a Região Metropolitana da Baixada Santista como grande polo industrial, do setor terciário e com uma tendência a se intensificar devido à exploração da camada pré-sal.



  
3.   Analise a fotografia e leia a carta a seguir.



Ilmo. Sr. Francisco de Souza

Aspiro boa saúde com a Exma. Família. Tendo eu frequentado uma fazenda sua deliberei, saudando-o em uma cartinha, pedir um cobrezinho. Basta dois contos de réis. Eu reconheço que o senhor não se sacrifica com isto e eu ficarei bem agradecido e não terei razão de lhe odiar nem também a gente de Virgulino terá esta razão.

Sem mais do seu criado, obrigado.

Hortêncio, vulgo Arvoredo, rapaz de Virgulino.

A TARDE. 20 jan. 1931. In: Coletânea de documentos históricos para o primeiro grau. São Paulo: SE/CENP, 1980, p. 51.

A fotografia e a carta apresentadas remetem ao cotidiano do Cangaço brasileiro, entre as décadas de 1920 e 1930. Nesse contexto, esse fenômeno social era interpretado pelo Estado brasileiro, que o combatia, como símbolo de desordem social. Diante do exposto, explique uma característica

a) associada ao Cangaço brasileiro, presente na carta;
b) atribuída, na fotografia, ao Cangaço e aos cangaceiros.


Resposta:

a) A Carta não é uma forma usual de apresentação do Cangaço, entendido normalmente como a ação violenta de um bando armado. Através da carta, há um pedido formal de dinheiro – cobrezinho – com uma ameaça velada, na medida em que sugere que, realizado o pagamento, não haverá problema com os homens de Virgulino (lampião).

b) A fotografia retrata uma imagem convencional dos cangaceiros - a de bando armado.



  
4.   Leia o texto a seguir.

Espera-se colonizar com os chineses, os coolies, os malaios e todas essas raças degeneradas do oriente, sorte de lepra humana? Já se experimentou a espécie do Celeste Império. Que produziu ela? O Brasil, de resto, já está farto dessas famílias mescladas e bastardas que não constituem um povo. O que lhe falta é sangue, a atividade, a ciência da Europa.

(RIBEYROLLES apud DEZEM, R. Matizes do “amarelo” : a gênese dos discursos sobre os orientais no Brasil (1878-1908). São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2005. p.51.)

Nesse texto, o jornalista francês Charles Ribeyrolles refere-se à imigração de chineses para o Brasil nos anos 1850 com o objetivo de atender à necessidade de mão de obra na lavoura.

Com base na citação e nos conhecimentos a respeito da história do Brasil, responda aos itens a seguir.

a) Analise a posição assumida por Ribeyrolles quanto à imigração chinesa para o Brasil.
b) Cite e explique um posicionamento semelhante ao relatado no texto em relação a outro grupo social, considerando a história do Brasil.


Resposta:

a) A elite brasileira herdou da Europa um racismo. O depoimento do jornalista francês Ribeyrolles externa uma argumentação racista, contrária à imigração chinesa para o Brasil no século XIX, uma vez que os chineses seriam, segundo a visão do autor, inferiores racial, moral e culturalmente. Desse ponto de vista, a miscigenação levaria à degradação do brasileiro, devendo ser evitada para a constituição de um povo. A preferência do jornalista era pelo imigrante europeu, considerado mais saudável e evoluído.

b) Desde o início da colonização do Brasil imperava um racismo exacerbado em relação aos negros e índios. A elite agrária brasileira, branca, foi se consolidando e, pautada no etnocentrismo, foi produzindo discursos e práticas racistas. Basta observar na segunda metade do século XIX, no período do II Reinado quando ocorreu a transição do trabalho escravo para o trabalho livre assalariado. A elite agrária brasileira necessitando de mão de obra para a lavoura de café poderia substituir a escravidão pelo trabalho livre dos índios ou dos próprios negros na condição de trabalhador livre (até mesmo os nordestinos considerando que aquela região estava em crise econômica desde o final do século XVII). No entanto, optou pelo imigrante europeu acreditando que este era superior do ponto de vista moral, racial e cultural.



  
5.  



Angelo Agostini (1833-1910) expressou sua crítica a D. Pedro II em uma caricatura publicada na Revista Ilustrada, em 1887.

a) Conforme a imagem, qual é a crítica de Agostini ao Imperador?
b) Indique e explique um processo que expresse a situação de crise vivida no final do Império.


Resposta:

a) Angelo Agostini criticava o imobilismo do Imperador diante dos problemas enfrentados pelo Império brasileiro no final da década de 1880.

b) A crise vivida pelo Império pode ser explicada por uma série de fatores, a saber: transformações socioeconômicas derivadas da expansão cafeeira, imigração estrangeira, fim do tráfico negreiro, crescimento da campanha abolicionista, e o aumento do movimento republicano.



  
6.   “Explicar a Guerra do Paraguai como tendo sido resultado da ação do imperialismo inglês carece de base documental. É, antes, resultado de bandeiras das lutas políticas dos anos [18]60 e [18]70 – como o antiamericanismo e o terceiro-mundismo –, projetadas na análise do passado (...)”.

(DORATIOTO, Francisco. A Guerra do Paraguai: 2ª visão. São Paulo: Brasiliense, 1991. p. 79).


Discuta a afirmação do historiador, apresentando ao menos duas diferentes interpretações sobre os motivos da Guerra do Paraguai ou Guerra da Tríplice Aliança.


Resposta:

Podemos citar duas vertentes de explicação:

1. Desejo inglês de impedir que o bem sucedido projeto econômico paraguaio (ausência de dívida externa, ausência de analfabetismo) se espalhasse pelo resto da América;
2. Disputas referentes à Bacia Platina, que envolvia Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, e o desejo paraguaio de “abrir” caminho para o Oceano através da tomada de territórios de Brasil, Argentina e Uruguai.



  
7.   É particularmente no Oeste da província de São Paulo – o Oeste de 1840, não o de 1940 – que os cafezais adquirem seu caráter próprio, emancipando-se das formas de exploração agrária estereotipadas desde os tempos coloniais no modelo clássico da lavoura canavieira e do “engenho” de açúcar.
(Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil, 1987.)

Cite duas semelhanças e duas diferenças significativas entre a exploração agrária cafeeira no Oeste paulista do século XIX e a que predominou na lavoura canavieira no Nordeste colonial.


Resposta:

Semelhanças: o aluno pode citar, entre outros, o latifúndio, a monocultura visando o mercado externo.
Diferenças: o aluno pode citar, entre outros: em São Paulo surgiu uma elite que podemos denominar de “burguesia cafeeira paulista” com mentalidade empresarial e empreendedora vinculada ao capitalismo internacional (bem diferente da elite tradicional do nordeste colonial). No nordeste colonial prevaleceu a utilização do trabalho escravo africano enquanto em São Paulo ocorreu a transição do trabalho escravo para o trabalho livre com a chegada dos imigrantes.



  
8.   A transformação do Rio de Janeiro em corte real começou apenas dois meses antes da chegada do príncipe regente, quando notícias do exílio real – tão “agradáveis” quanto “chocantes”, cheias de “sustos e alegrias” – foram recebidas. Entretanto, como descobriram os residentes da cidade, os preparativos iniciais para acomodar Dom João e os exilados marcaram apenas o começo da transformação do Rio de Janeiro em corte real, pois o projeto de construir uma “nova cidade” e capital imperial perdurou por todo o reinado brasileiro do príncipe regente. Construir uma corte real significava construir uma cidade ideal; uma cidade na qual tanto a arquitetura mundana como a monumental, juntamente com as práticas sociais e culturais dos seus residentes, projetassem uma imagem inequivocamente poderosa e virtuosa da autoridade e do governo reais.

(Kirsten Schultz. Versalhes tropical, 2008. Adaptado.)

Explique o principal motivo da transferência da Corte portuguesa para o Brasil, em 1808, e indique duas mudanças importantes por que o Rio de Janeiro passou para receber e abrigar a família real.


Resposta:

Havia uma disputa na Europa entre Inglaterra e França pela hegemonia sobre o mundo. Desde o século XVI, a Inglaterra foi derrotando as nações europeias. No século XVI, 1588, a Inglaterra superou a famosa “invencível armada” de Filipe II da Espanha. Em meados do século XVII, a Inglaterra venceu a Holanda no contexto do “Ato de Navegação”. Venceu também a França na “Guerra dos Sete Anos”, entre 1756-1763. Assim, no início do século XIX, Napoleão Bonaparte, imperador da França montou um império na Europa. Tentando enfraquecer a Inglaterra, Napoleão criou em 1806 o famoso Bloqueio Continental visando isolar sua rival que passava pela Revolução Industrial e necessitava de mercado. A Inglaterra, em busca de mercado, apoiou a transferência da corte portuguesa para o Brasil visando afastá-la de uma ameaça francesa e, também, abrir o mercado brasileiro para os produtos ingleses. Em 1808, a corte portuguesa chegou ao Brasil. O Rio de Janeiro, capital do Brasil, foi a cidade escolhida para sediar a corte. Inúmeras mudanças ocorreram o Brasil, entre elas: Criação do Banco do Brasil e da imprensa régia, jardim botânico, teatro, faculdade de medicina, biblioteca e a chegada da “Missão Francesa”, entre outros.




                                                  Crise no Prata e guerra do Paraguai. Aprofundando o tema.



domingo, 31 de agosto de 2014

Sociologia no Enem - Simulado ENEM com gabarito Comentado -

Grupo de estudo para provas específicas:   https://www.facebook.com/groups/660763183949872/?fref=nf

1.   A recuperação da herança cultural africana deve levar em conta o que é próprio do processo cultural: seu movimento, pluralidade e complexidade. Não se trata, portanto, do resgate ingênuo do passado nem do seu cultivo nostálgico, mas de procurar perceber o próprio rosto cultural brasileiro. O que se quer é captar seu movimento para melhor compreendê-lo historicamente.
MINAS GERAIS. Cadernos do Arquivo 1: Escravidão em Minas Gerais. Belo Horizonte: Arquivo Público Mineiro, 1988.

Com base no texto, a análise de manifestações culturais de origem africana, como a capoeira ou o candomblé, deve considerar que elas
a) permanecem como reprodução dos valores e costumes africanos.   
b) perderam a relação com o seu passado histórico.   
c) derivam da interação entre valores africanos e a experiência histórica brasileira.   
d) contribuem para o distanciamento cultural entre negros e brancos no Brasil atual.   
e) demonstram a maior complexidade cultural dos africanos em relação aos europeus.   


Resposta:

[C]

O candomblé e a capoeira são manifestações culturais que possuem grande relevância na sociedade brasileira. Compreender o processo histórico que permitiu o surgimento dessas expressões é importante para ressignificar a história nacional, valorizando a importância das culturas dos povos africanos no Brasil. Assim, somente a alternativa [C] está correta.



  
2.   Tenho 44 anos e presenciei uma transformação impressionante na condição de homens e mulheres gays nos Estados Unidos. Quando nasci, relações homossexuais eram ilegais em todos os Estados Unidos, menos Illinois. Gays e lésbicas não podiam trabalhar no governo federal. Não havia nenhum político abertamente gay. Alguns homossexuais não assumidos ocupavam posições de poder, mas a tendência era eles tornarem as coisas ainda piores para seus semelhantes.

ROSS, A. “Na máquina do tempo”. Época, ed. 766, 28 jan. 2013.

A dimensão política da transformação sugerida no texto teve como condição necessária a
a) ampliação da noção de cidadania.   
b) reformulação de concepções religiosas.   
c) manutenção de ideologias conservadoras.   
d) implantação de cotas nas listas partidárias.   
e) alteração da composição étnica da população.   


Resposta:

[A]

A alternativa [A] é a única correta. Reconhecer a liberdade de orientação sexual corresponde a ampliar a noção de cidadania, valorizando pessoas e grupos que antes eram marginalizados ou reprimidos pela sociedade.



  
3.   TEXTO I

É notório que o universo do futebol caracteriza-se por ser, desde sua origem, um espaço eminentemente masculino; como esse espaço não é apenas esportivo, mas sociocultural, os valores nele embutidos e dele derivados estabelecem limites que, embora nem sempre tão claros, devem ser observados para a perfeita manutenção da “ordem”, ou da “lógica’” que se atribui ao jogo e que nele se espera ver confirmada. A entrada das mulheres em campo subverteria tal ordem, e as reações daí decorrentes expressam muito bem as relações presentes em cada sociedade: quanto mais machista, ou sexista, ela for, mais exacerbadas as suas réplicas.

FRANZINI, F. Futebol é “coisa pra macho”? Pequeno esboço para uma história das mulheres no país do futebol. Revista Brasileira de História, v. 25, n. 50, jul.-dez. 2005 (adaptado).

TEXTO II

Com o Estado Novo, a circularidade de uma prática cultural nascida na elite e transformada por sua aceitação popular completou o ciclo ao ser apropriada pelo Estado como parte do discurso oficial sobre a nacionalidade. A partir daí, o Estado profissionalizou o futebol e passou a ser o grande promotor do esporte, descrito como uma expressão da nacionalidade. O futebol brasileiro refletiria  as qualidades e os defeitos da nação.

SANTOS, L. C. V. G. O dia em que adiaram o carnaval: política externa e a construção do Brasil. São Paulo: EdUNESP, 2010.

Os dois aspectos ressaltados pelos textos sobre a história do futebol na sociedade brasileira são respectivamente:
a) Simbolismo político — poder manipulador.   
b) Caráter coletivo — ligação com as demandas populares.   
c) Potencial de divertimento — contribuição para a alienação popular.   
d) Manifestação de relações de gênero — papel identitário.   
e) Dimensão folclórica — exercício da dominação de classes.   


Resposta:

[D]

Os dois textos apresentam questões diferentes que circundam o tema do futebol. Enquanto o primeiro discute as relações de gênero presentes nesse esporte, o segundo tematiza sua importância para a construção da identidade nacional brasileira. Assim, a alternativa [D] se mostra como a única correta.



  
4.   Própria dos festejos juninos, a quadrilha nasceu como dança aristocrática, oriunda dos salões franceses, depois difundida por toda a Europa.
No Brasil, foi introduzida como dança de salão e, por sua vez, apropriada e adaptada pelo gosto popular. Para sua ocorrência, é importante a presença de um mestre “marcante” ou “marcador”, pois é quem determina as figurações diversas que os dançadores desenvolvem. Observa-se a constância das seguintes marcações: Tour”, “En avant”, “Chez des dames”, “Chez des chevaliê”, “Cestinha de flor”, “Balancê”, “Caminho da roça”, “Olha a chuva”, “Garranchê”, “Passeio”, “Coroa de flores”, “Coroa de espinhos” etc.
No Rio de Janeiro, em contexto urbano, apresenta transformações: surgem novas figurações, o francês aportuguesado inexiste, o uso de gravações substitui a música ao vivo, além do aspecto de competição, que sustenta os festivais de quadrilha, promovidos por órgãos de turismo.

CASCUDO, L. C. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro: Melhoramentos, 1976.

As diversas formas de dança são demonstrações da diversidade cultural do nosso país. Entre elas, a quadrilha é considerada uma dança folclórica por
a) possuir como característica principal os atributos divinos e religiosos e, por isso, identificar uma nação ou região.   
b) abordar as tradições e costumes de determinados povos ou regiões distintas de uma mesma nação.   
c) apresentar cunho artístico e técnicas apuradas, sendo, também, considerada dança-espetáculo.   
d) necessitar de vestuário específico para a sua prática, o qual define seu país de origem.   
e) acontecer em salões e festas e ser influenciada por diversos gêneros musicais.   


Resposta:

[B]

Somente a alternativa [B] está correta. As quadrilhas são frequentemente associadas às danças regionais e populares, podendo servir para demonstrar a diversidade das manifestações artísticas no Brasil.



  
5.   O antropologo americano Marius Barbeau escreveu o seguinte: sempre que se cante a uma criança uma cantiga de ninar; sempre que se use uma canção, uma adivinha, uma parlenda, uma rima de contar, no quarto das crianças ou na escola; sempre que ditos e provérbios, fábulas, histórias bobas e contos populares sejam representados; aí veremos o folclore em seu próprio domínio, sempre em ação, vivo e mutável, sempre pronto a agarrar e assimilar novos elementos em seu caminho.

UTLEY, F. L. Uma definição de folclore. In: BRANDÃO, C. R. O que é folclore. São Paulo: Brasiliense, 1984 (adaptado).


O texto tem como objeto a construção da identidade cultural, reconhecendo que o folclore, mesmo sendo uma manifestação associada à preservação das raízes e da memória dos grupos sociais,
a) está sujeito a mudanças e reinterpretações.   
b) deve ser apresentado de forma escrita.   
c) segue os padrões de produção da moderna indústria cultural.   
d) tende a ser materializado em peças e obras de arte eruditas.   
e) expressa as vivências contemporâneas e os anseios futuros desses grupos.   


Resposta:

[A]

O texto expressa de forma clara o quanto o folclore se atualiza e se modifica cotidianamente. Desta forma, a única alternativa plausível é a [A].



  
6.   O Baile Charme, uma das mais conhecidas manifestações culturais do povo carioca, fica cadastrado como bem cultural de natureza imaterial da cidade. O decreto considera o Baile Charme uma genuína invenção carioca, e destaca a riqueza de sua origem na musicalidade africana, que abriga ritmos como o soul, o funk e o rythim’n blues, da fonte norte-americana, e o choro, o samba e a bossa-nova, criações nascidas no Rio. O Baile Charme é cultuado, principalmente na Zona Norte da cidade, seja em clubes, agremiações recreativas e espaços públicos como a área do Viaduto de Madureira.

Disponível em: www.jb.com.br. Acesso em: 2 mar. 2013 (adaptado).


Segundo o texto, o cadastramento do Baile Charme como bem imaterial da cidade do Rio de Janeiro ocorreu porque essa manifestação cultural
a) possui um grande apelo de público.   
b) simboliza uma região de relevância social.   
c) contém uma pluralidade de gêneros musicais.   
d) reflete um gosto fonográfico de camadas pobres.   
e) representa uma diversidade de costumes populares.   


Resposta:

[E]

A questão exige basicamente uma boa compreensão e interpretação do texto. Apresentando o Baile Charme, o texto enfatiza a riqueza de sua origem, representada pela diversidade de manifestações culturais ali presentes, que ultrapassam a questão de gênero musical. Desta maneira, a única alternativa correta é a [E].



  
7.   Fronteira. Condição antidemocrática de existência das democracias, distinguindo os cidadãos dos estrangeiros, afirma que não pode haver democracia sem território. Em princípio, portanto, nada de democracia sem fronteiras. E, no entanto, as fronteiras perdem o sentido no que diz respeito às mercadorias, aos capitais, aos homens e às informações que as atravessam. As nações não podem mais ser definidas por fronteiras rígidas. Será necessário aprender a construir nações sem fronteiras, autorizando a filiação a várias comunidades, o direito de voto múltiplo, a multilealdade.

ATTALI, J. Dicionário do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001 (adaptado).



No texto, a análise da relação entre democracia, cidadania e fronteira apresenta sob uma perspectiva crítica a necessidade de
a) reestruturação efetiva do Estado-nação.   
b) liberalização controlada dos mercados.   
c) contestação popular do voto censitário.   
d) garantia jurídica da lealdade nacional.   
e) afirmação constitucional dos territórios.   


Resposta:

[A]

No contexto atual, as fronteiras não podem ser mais fixas, tal como apresenta o texto da questão. Isso modifica nossa concepção de Estado-nação, tradicionalmente vinculada ao território.



  
8.   Há dois pilares para a concepção multilateral de justiça: a ideia de que a relação entre Estados é baseada na igualdade jurídica e a noção de que a Carta da ONU deveria promover os direitos humanos e o progresso social. Do primeiro pilar derivam as normas de não intervenção, de respeito à integridade territorial e de não ingerência. São as normas que garantem as condições dos processos deliberativos justos entre iguais.

FONSECA JR., G. Justiça e direitos humanos. In: NASSER, R. (Org.). Novas perspectivas sobre os conflitos internacionais. São Paulo: Unesp, 2010 (adaptado).

Nessa concepção de justiça, o cumprimento das normas jurídicas mencionadas é a condição indispensável para a efetivação do seguinte aspecto político:
a) Voto censitário.   
b) Sufrágio universal.   
c) Soberania nacional.   
d) Nacionalismo separatista.   
e) Governo presidencialista.   


Resposta:

[C]

O texto apresenta a importância de normas internacionais em relação ao respeito da ordem jurídica de cada país. Isso é uma clara referência à Soberania nacional que cada país deve ter, tal como apresenta a alternativa [C].



  
9.   Ao longo das três últimas décadas, houve uma explosão de movimentos sociais pelo mundo. Essa diversidade de movimentos — que vão desde os movimentos por direitos civis e os movimentos feministas dos anos de 1960 e 1970, até os movimentos antinucleares e ecológicos dos anos de 1980 e a campanha pelos direitos homossexuais da década de 1990 — é normalmente denominado pelos comentadores do tema como novos movimentos sociais.

GIDDENS, A. Sociologia. Porto Alegre: Artmed, 2005 (adaptado).



Uma explicação para a expansão dos chamados novos movimentos sociais nas últimas três décadas é a
a) fragilidade das redes globais comunicacionais, como internet e telefonia.   
b) garantia dos direitos sociais constitucionais, como educação e previdência.   
c) crise das organizações representativas tradicionais, como partidos e sindicatos.    
d) instabilidade das instituições políticas democráticas, como eleições e parlamentos.   
e) consolidação das corporações transnacionais monopolistas, como petrolíferas e mineradoras.   


Resposta:

[C]

Somente a alternativa [C] está correta. Os novos movimentos sociais possuem algumas características em comum, como, por exemplo, uma estrutura descentralizada e muitas vezes em rede. Isso só é possível em um contexto de crise das organizações representativas tradicionais, que não se mostram capazes de defender interesses de grupos com uma identidade política e social mais difusa.



  
10.  



Na imagem, estão representados dois modelos de produção. A possibilidade de uma crise de superprodução é distinta entre eles em função do seguinte fator:
a) Origem da matéria-prima.   
b) Qualificação da mão de obra.   
c) Velocidade de processamento.   
d) Necessidade de armazenamento.   
e) Amplitude do mercado consumidor.   


Resposta:

[D]

Diferentemente do Modelo 1 (tipicamente fordista), o segundo modelo (normalmente associado ao toyotismo) não apresenta a necessidade de estoque. Isso porque a produção é feita na lógica just in time, ou seja, somente mediante a demanda. Isso tira a necessidade de criação de locais de armazenamento, diminuindo os custos e a possibilidade de crise de superprodução.



  
11.   Um trabalhador em tempo flexível controla o local do trabalho, mas não adquire maior controle sobre o processo em si. A essa altura, vários estudos sugerem que a supervisão do trabalho é muitas vezes maior para os ausentes do escritório do que para os presentes. O trabalho é fisicamente descentralizado e o poder sobre o trabalhador, mais direto.

SENNETT, R. A corrosão do caráter: consequências pessoais do novo capitalismo. Rio de Janeiro: Record, 1999 (adaptado).

Comparada à organização do trabalho característica do taylorismo e do fordismo, a concepção de tempo analisada no texto pressupõe que
a) as tecnologias de informação sejam usadas para democratizar as relações laborais.   
b) as estruturas burocráticas sejam transferidas da empresa para o espaço doméstico.   
c) os procedimentos de terceirização sejam aprimorados pela qualificação profissional.   
d) as organizações sindicais sejam fortalecidas com a valorização da especialização funcional.   
e) os mecanismos de controle sejam deslocados dos processos para os resultados do trabalho.   


Resposta:

[E]

O texto do enunciado apresenta uma importante constatação a respeito da organização do trabalho contemporâneo: a de que o trabalho descentralizado e flexível na verdade favorece ainda mais a produção. Se observarmos as empresas de tecnologia, observaremos exatamente esse processo: por desenvolverem uma forma de controle não sobre o processo, mas sobre os resultados de trabalho, elas se tornam extremamente produtivas.



  
12.   TEXTO I



TEXTO II

Partindo do chão coletivo da comunidade rural ou das cidades, à medida que se impregna de um ethos urbano — seja por migração, seja pela difusão de novos conteúdos midiáticos —, irão surgindo indivíduos que, na área da visualidade, gerarão uma obra de feição original, autoral, única. O indivíduo-sujeito recorre à memória para a construção de uma biografia, a fim de criar seu projeto artístico, a sua identidade social.

FROTA, L. C. Pequeno dicionário da arte do povo brasileiro (século XX). Rio de Janeiro: Aeroplano, 2005.

A partir dos textos apresentados, os trabalhos que são pertinentes à criação popular caracterizam-se por
a) temática nacionalista que abrange áreas regionais amplas.   
b) produção de obras utilizando materiais e técnicas tradicionais da arte acadêmica.   
c) ligação estrutural com a arte canônica pela exposição e recepção em museus e galerias.   
d) abordagem peculiar da realidade e do contexto, seguindo criação pessoal particular.   
e) criação de técnicas e temas comuns a determinado grupo ou região, gerando movimentos artísticos.   


Resposta:

[D]


A questão faz uma comparação entre a classe média brasileira e a europeia. No Brasil, é comum a classe média possuir empregados domésticos e se utilizar de certos signos de distinção. Já na Europa, a classe média não faz questão desse tipo de diferenciação. Isso pode ser explicado, em grande parte, pela desigualdade social e pela herança patriarcal e escravocrata de nossa sociedade. Aqui, a divisão entre senhor e escravo nos leva a desejar ser o senhor. Quem não é senhor, é escravo. Assim, a classe média se utiliza desses serviços para se distinguir do restante da população.




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