Loading...

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Da colônia ao primeiro reinado - questões com gabarito comentado



grupo de estudo para provas específicas: https://www.facebook.com/groups/660763183949872/



1.  



Em 2014, foram comemorados os 200 anos da morte do criador das belíssimas peças em pedra sabão, uma das quais é apresentada na imagem acima, sendo a mesma de autoria do mais importante artista brasileiro do período colonial: Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1737-1814). Ele nasceu em Vila Rica, atual Ouro Preto, e antes dos 50 anos, foi acometido por uma doença degenerativa que atrofiava seu corpo. Mesmo assim, tornou-se um dos maiores mestres do Barroco no Brasil.

O Barroco teve terreno fértil para a expansão em Minas Gerais, pois
a) o enriquecimento provocado pela mineração e a forte religiosidade dos povos das Minas, conjugados com a intensa vida cultural ligada ao catolicismo, favoreceram o desenvolvimento desse estilo artístico na região.   
b) a pouca presença de protestantes na região, por causa da distância do litoral, fez com que não houvesse forte influência desse ramo religioso, deixando caminho livre para a expansão do Barroco, tão ligado ao catolicismo.   
c) fortaleceu-se com os altos investimentos feitos pelo governo português na região, já que por causa da produção aurífera, buscava-se fazer de Minas, e principalmente de Vila Rica, a referência americana para a Europa.   
d) a decadência da produção açucareira no Nordeste e a descoberta do ouro em Minas levaram os principais artistas da Colônia a migrarem para Vila Rica, em busca de financiamento para suas obras e apoio para novos empreendimentos.   
  
2.   Leia o texto a seguir.

Há alguns vocábulos nela (língua tupi) de que não usam senão as mulheres, e outros que não servem senão para os machos; carece de três letras, convém saber, não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto porque assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei e desta maneira vivem desordenadamente sem terem além disto conta nem peso, nem medida. GÂNDAVO, Pero Magalhães. Do gentio que há nesta Província, da condição e costumes dele e de como se governam na paz. In: História da província de Santa Cruz, a que vulgarmente chamamos de Brasil. 1756. Disponível em: . p. 25. Acesso em: 24 set. 2013. (Adaptado).

O texto do viajante português Pero Magalhães Gândavo relaciona língua e organização social. O tipo de relato e os aspectos da colonização no Brasil expressam-se, no texto apresentado,
a) pelo uso da prosa, permitindo o desenvolvimento de um método argumentativo para a comunicação entre os nativos e os colonizadores.   
b) pela diferenciação dos gêneros dos falantes, sugerindo a presença de uma sociedade matriarcal entre os nativos.   
c) pelo caráter descritivo, adequando o considerado exotismo nativo às referências europeias para efetivar a colonização cultural.   
d) pelo conteúdo empírico, buscando complexificar a economia de troca dos tupi-guaranis por meio do ensino de cálculo e planejamento.   
e) pela utilização da crônica, buscando elaborar um tipo de relato pedagógico e moralizante usado nas encenações teatrais jesuíticas.   
  
3.   O conflito armado travado na segunda metade do século XVIII e que ficou conhecido como
Guerras Guaraníticas,
a) foi uma reação dos índios de Sete Povos das Missões, liderados por alguns jesuítas, à ocupação de suas terras e à possível escravização.   
b) ocorreu entre paulistas com o apoio de diversas tribos guaranis e os emboabas, pela hegemonia da extração do ouro das Minas Gerais.   
c) definiu a conquista da Colônia do Sacramento por tropas luso-brasileiras.   
d) provocou a assinatura do Tratado de Lisboa, pelo qual Portugal devolvia a área conhecida como Sete Povos das Missões à Espanha.   
e) abriu caminho para a conquista e ocupação, por parte dos portugueses, da calha do rio Solimões – Amazonas.   
  
4.   Sobre o tratamento dispensado aos índios no período colonial, pode-se afirmar que
a) os colonos de várias regiões do Brasil e os representantes das ordens religiosas, especialmente os jesuítas, entraram em conflitos, pois defendiam formas diversas nas relações com as sociedades indígenas.   
b) as ordens religiosas de origem portuguesa e os grandes proprietários rurais defendiam a escravização indiscriminada dos povos indígenas, mesmo para aqueles que fossem catequizados.   
c) com o início do tráfico negreiro para o Brasil em fins do século XVI, uma ampla legislação do Estado português de proteção aos índios passou a vigorar, cessando de imediato a escravidão indígena.   
d) para a Igreja Católica e para os senhores de escravo, árduos defensores do sentido religioso da colonização do Brasil, a escravização indígena deveria ser um instrumento de conversão religiosa.   
e) a experiência de escravização dos povos indígenas no Brasil foi efetiva em poucas regiões do nordeste, em atividades de menor importância econômica, e apenas nas primeiras décadas da presença lusa.   

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Com a vinda da Corte, pela primeira vez, desde o início da colonização, configuravam-se nos trópicos portugueses preocupações próprias de uma colônia de povoamento e não apenas de exploração ou feitoria comercial, pois que no Rio teriam que viver e, para sobreviver, explorar “os enormes recursos naturais” e as potencialidades do Império nascente, tendo em vista o fomento do bem-estar da própria população local. (Maria Odila Leite da Silva Dias.
A interiorização da metrópole e outros estudos, 2005.) 

5.   A vinda da Corte portuguesa para o Brasil, ocorrida em 1808 e citada no texto, foi provocada, sobretudo,
a) pelo fim da ocupação francesa em Portugal e pelo projeto, defendido pelos liberais portugueses, de iniciar a gradual descolonização do Brasil.   
b) pela pressão comercial espanhola e pela disposição, do príncipe regente, de impedir a expansão e o sucesso dos movimentos emancipacionistas na colônia.   
c) pelo interesse de expandir as fronteiras da colônia, avançando sobre terras da América Espanhola, para assegurar o pleno domínio continental do Brasil.   
d) pela invasão francesa em Portugal e pela proximidade e aliança do governo português com a política da Inglaterra.   
e) pela intenção de expandir, para a América, o projeto de união ibérica, reunindo, sob a mesma administração colonial, as colônias espanholas e o Brasil.   
  
6.   Leia o fragmento.

Na segunda metade do século XVIII, a preocupação com o “bem governar” era um imperativo tanto para a manutenção do monarca, de modo a que não se fortalecessem outras pretensões de legitimidade, quanto para a conservação do próprio regime, da monarquia absolutista, pois tratava-se de evitar que certas ideias correntes, como governos elegíveis e parlamentos poderosos, tomassem corpo. (...)
(...) o despotismo esclarecido varia de país para país, dependendo de cada processo histórico e de sua abertura ao movimento de ideias da ilustração (...) Antonio Mendes Junior et al. Brasil História: texto e consulta, volume 1, Colônia.
Sobre o fenômeno histórico em referência, no caso de Portugal, é correto considerar que:
a) o atraso econômico português gerava dependência política e militar, colocando em perigo inclusive o império colonial português, e nesse processo ocorreram as reformas pombalinas, que representaram um maior controle português sobre o Brasil.   
b) as autoridades monárquicas portuguesas se anteciparam às ondas revolucionárias do mundo atlântico e criaram metas de aumento da participação das diversas classes sociais nas instâncias de poder, o que gerou o primeiro parlamento na Europa moderna.   
c) coube ao Marquês de Pombal o apontamento de um acordo estratégico com a Inglaterra, concretizado com o Tratado de Methuen, que permitiu a independência econômica de Portugal e regalias para a mais importante colônia lusa, o Brasil.   
d) as ideias iluministas foram abominadas pelas autoridades portuguesas, assim como pelas elites coloniais e metropolitanas, pois representavam um forte retrocesso nas concepções de liberdade de mercado, defendidas pelo mercantilismo.   
e) o contundente crescimento da economia de Angola, por causa do tráfico de escravos e da produção de manufaturados, e da economia açucareira no Brasil, foram decisivos para a opção portuguesa em transferir a sede da Coroa portuguesa para a América.   
  
7.   Em 1720, a Coroa portuguesa decidiu proibir definitivamente a circulação de ouro em pó, instalando a Casa de Fundição em Vila Rica, onde todo o metal extraído das minas deveria ser transformado em barras para depois ser transportado ao litoral.

A medida pretendia acabar com o contrabando e incrementar a arrecadação de impostos, prejudicando os interesses dos proprietários de lavras auríferas, comerciantes e profissionais liberais que recebiam ouro em pó pelos seus serviços, além dos tropeiros que escoavam a produção.

As novas diretrizes foram intensamente discutidas nos bares, nas tavernas, e críticas ferozes eram lançadas, nas rodas de conversa, contra a administração local. Uma revolta se levantaria contra as medidas de controle da Coroa. (Fábio Pestana Ramos e Marcus Vinicius de Morais. Eles formaram o Brasil)

A revolta ocorrida contra as medidas de controle da Coroa portuguesa foi:
a) a Guerra dos Emboabas;         b) a Revolta de Felipe dos Santos;       c) a Inconfidência Mineira;   
d) a Guerra dos Mascates;                              e) a Revolta de Beckman.   
  
8.   A crise política do I Império Brasileiro, que resultou na abdicação de D. Pedro I, teve como cerne a disputa entre a inclinação centralista-absolutista do monarca e a defesa do federalismo pelas elites econômicas regionais. A renúncia do imperador em 1831 resultou:
a) na transferência de poder às elites regionais e aos regentes, ordem política que se mostrou frágil e abriu caminho para levantes oposicionistas e populares.   
b) na transformação imediata de Pedro II em monarca do Reino Português na linha de sucessão da Casa de Bragança.   
c) no fortalecimento de movimentos separatistas regionais, em desacordo com a manutenção do regime monárquico e da escravidão.   
d) no surgimento de grupos políticos republicanos, que seriam embrionários do movimento que promoveu a Proclamação da República em 1889.   
e) na emergência de uma identidade nacional brasileira, em oposição a qualquer posição de mando de autoridades portuguesas em território nacional.   
  
9.   Era “exclusivo do imperador e definido pela Constituição como ‘chave mestra de toda organização política’. Estava acima dos demais poderes”. (COTRIM, 2009).   O texto em epígrafe aborda a criação no Brasil, pela Constituição de 1824, do Poder

a) Moderador.     b) Justificador.         c) Executivo.      d) Judiciário.        e) Legislativo.   
  
10.   A escravatura, que realmente tantos males acarreta para a civilização e para a moral, criou no espírito dos brasileiros este caráter de independência e soberania, que o observador descobre no homem livre, seja qual for o seu estado, profissão ou fortuna. Quando ele percebe desprezo, ou ultraje da parte de um rico ou poderoso, desenvolve- se imediatamente o sentimento de igualdade; e se ele não profere, concebe ao menos, no momento, este grande argumento: não sou escravo. Eis aqui no nosso modo de pensar, a primeira causa da tranquilidade de que goza o Brasil: o sentimento de igualdade profundamente arraigado no coração dos brasileiros.
Padre Diogo Antônio Feijó apud Miriam Dolhnikoff. O pacto imperial, 2005.

O texto, publicado em 1834 pelo Padre Diogo Antônio Feijó,
a) parece rejeitar a escravidão, mas identifica efeitos positivos que ela teria provocado entre os brasileiros.   
b) caracteriza a escravidão como uma vergonha para todos os brasileiros e defende a completa igualdade entre brancos e negros.    
c) defende a escravidão, pois a considera essencial para a manutenção da estrutura fundiária.   
d) revela as ambiguidades do pensamento conservador brasileiro, pois critica a escravidão, mas enfatiza a importância comercial do tráfico escravagista.   
e) repudia a escravidão e argumenta que sua manutenção demonstra o desrespeito brasileiro aos princípios da igualdade e da fraternidade.   
 
Gabarito: 

Resposta da questão 1:
 [A]

O estilo barroco no Brasil é considerado como um “barroco tardio”, pois se desenvolveu apenas no século XVIII (ao contrário do movimento na Europa do século XVI). Uma de suas características é a expressão da religiosidade, parte dela demonstrada a partir da escultura ou da pintura de santos e de cenas religiosas tradicionais que, na Europa, tiveram como um de seus objetivos reforçar o catolicismo em oposição à reforma religiosa protestante.  

Resposta da questão 2:
 [C]

O texto de Pero Magalhães Gândavo é referência importante para estudar o Brasil Colônia. Os relatos dos viajantes europeus sobre a colônia eram carregados de etnocentrismo e europocentrismo, ou seja, os valores europeus eram concebidos como referência e modelo a ser seguido e, desta forma, os nativos e suas culturas eram vistos de maneira negativa e inferiorizada. A cultura europeia era exaltada exatamente para contribuir para o processo de colonização. Vale dizer que a própria Igreja católica através dos padres jesuítas trabalhou para catequizar os nativos. Somente a proposição [C] contempla esta ideia.  

Resposta da questão 3:
 [A]

Os jesuítas da região de Sete Povos não aceitaram os novos tratados assinados entre os governos de Espanha e Portugal, que transferiam a região para o controle português, vendo-o como uma ameaça a autonomia que então gozavam sobre as comunidades indígenas, que foram organizadas e estimuladas a lutar, com o argumento de que as chances de escravização aumentavam dada a ação dos bandeirantes em terras brasileiras.  

Resposta da questão 4:
 [A]

No Brasil colonial ocorreu um intenso conflito entre colonos e jesuítas devido à escravidão dos nativos. Os colonos, ávidos por mão de obra e lucro, defendiam a escravidão dos índios, enquanto os padres jesuítas eram contrários à escravidão e defendiam a catequese dos nativos. Este conflito culminou com a expulsão dos jesuítas em 1759 pelo marquês de Pombal, ministro do rei de Portugal, José I. As demais proposições estão incorretas. A escravidão indígena ocorreu ao longo do período colonial, paralela a escravidão do negro, porém com menor intensidade.  

Resposta da questão 5:
 [D]

A corte portuguesa se transferiu para o Brasil no contexto do Bloqueio Continental. Há que se considerar alguns fatores para essa mudança, como a invasão protagonizada por franceses, as pressões da Inglaterra sobre o governo lusitano e os interesses da Corte em preservar o controle sobre todos os seus territórios na América e África.  

Resposta da questão 6:
 [A]

O fragmento faz referência ao despotismo esclarecido que, no caso de Portugal, se materializou durante o reinado de D. José I (1750-1777), e tendo como seu secretário de governo, o marquês de Pombal. Esse momento foi tão marcante que é comum denominá-lo de Era Pombalina. Para o citado governo português era necessário conter a dependência econômica frente aos britânicos, reforçar o poder do Estado e reorganizar as relações com o Brasil, a principal colônia lusa. Assim, entre outras medidas, houve um estreitamento nas relações coloniais entre Brasil e Portugal, o que gerou um maior controle da metrópole sobre a América portuguesa. Exemplos dessa nova relação são as Companhias de Comércio e a reorganização da política tributária da região das Minas Gerais.  

Resposta da questão 7:
 [B]

O texto marca o início da atividade mineradora no Brasil. Nesse sentido, a existência da data “Em 1720” é um dado importante para o aluno perceber e relacionar o momento colocado pelo texto, bem como a citação da criação das Casas de Fundição, instrumento do controle português e das medidas relativas ao combate do contrabando, provocar a ira dos mineradores, levando à organização da Revolta de Felipe dos Santos em que o principal motivo gerador dessa revolta é a tentativa de abolir a criação deste instrumento de controle e exploração da metrópole portuguesa.
O aluno poderia ser levado a marcar a alternativa [C], a Inconfidência Mineira, que é outra revolta do período da mineração no Brasil, até muito mais conhecida por parte dos alunos, mas o que faz a diferença para o acerto da questão é justamente a data explícita no texto, enquanto a Inconfidência Mineira é datada de 1789.  

Resposta da questão 8:
 [A]

A Constituição Brasileira de 1824 – a primeira do país independente – previa que, para fins de sucessão imperial, se o herdeiro não tivesse maioridade penal, uma regência deveria ser eleita para governar o país até a maioridade do herdeiro. Como Pedro de Alcântara tinha 5 anos quando seu pai abdicou, isso, de fato, ocorreu depois de 1831. Essa estrutura se mostrou frágil, tornando o ambiente político-social muito conturbando, com a eclosão de várias revoltas populares – como a Balaiada, a Sabinada, e outras – o que provocou o chamado Golpe da Maioridade, para que Pedro II pudesse assumir o Império com 14 anos, em 1840.  

Resposta da questão 9:
 [A]

O Poder Moderador foi uma criação da Constituição de 1824, outorgada por D. Pedro I, e dava ao imperador o controle sobre as estruturas políticas e judiciais do país, caracterizando seu governo como centralizador e autoritário.  

Resposta da questão 10:
 [A]

Somente a alternativa [A] está correta. A questão remete ao Período Regencial, 1831-1840. O texto do padre e depois regente Feijó aponta para alguns elementos da escravidão no Brasil. Primeiramente Feijó mostra o aspecto negativo da escravidão ao afirmar “que realmente tantos males acarreta para a civilização e para a moral” em seguida levanta aspecto positivo da escravidão no povo brasileiro quando escreve “criou no espírito dos brasileiros este caráter de independência e soberania, que o observador descobre no homem livre”. A alternativa [A] está condizente com o texto.  


                                      1º Reinado - aula 1






1º Reinado - aula  2





sexta-feira, 27 de março de 2015

História e geografia - Questões discursivas com gabarito comentado



grupo de estudo para provas específicas: https://www.facebook.com/groups/660763183949872/


1.   Analise este mapa:



A partir da análise do mapa e considerando outros conhecimentos sobre o assunto,
a) EXPLIQUE um motivo para as Expedições de Apresamento.
b) CITE dois processos históricos decorrentes das Expedições de Apresamento.
c) COMPARE o tratamento dado aos povos indígenas por parte das Expedições de Apresamento e das Missões jesuíticas.
  
2.   Leia o trecho:

O sete de abril de 1831, mais do que o sete de setembro de 1822, representou a verdadeira independência nacional, o início do governo do país por si mesmo, a Coroa agora representada apenas pela figura quase simbólica de uma criança de cinco anos. O governo do país por si mesmo [...] revelou-se difícil e conturbado. Rebeliões e revoltas pipocaram por todo o país, algumas lideradas por grupos de elite, outras pela população tanto urbana como rural, outras ainda por escravos.

CARVALHO, J. Murilo et al. Documentação política, 1808-1840. Brasiliana da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional/Nova Fronteira, 2011, s/p.

a) EXPLIQUE o sentido da frase considerando o seu contexto histórico: “a Coroa agora representada apenas pela figura quase simbólica de uma criança de cinco anos”.
b) APRESENTE dois fatores que contribuíram para as conturbações políticas e sociais que levaram às rebeliões e às revoltas do período.  
  
3.   Analise o trecho publicado na Enciclopédia pelo filósofo francês Denis Diderot.

A autoridade do príncipe é limitada pelas leis da natureza e do Estado. [...] O príncipe não pode, portanto, dispor de seu poder e de seus súditos sem o consentimento da nação e independentemente da escolha estabelecida no contrato de submissão [...].

Autoridade política, Enciclopédia, 1751.

A partir da leitura do trecho e considerando outros conhecimentos sobre o assunto,
a) IDENTIFIQUE a corrente de pensamento a qual pertenceu Denis Diderot.
b) DEFINA o sistema político criticado pelo trecho.
c) EXPLIQUE um dos motivos que mobilizou Diderot e muitos de seus contemporâneos a se oporem ao sistema político vigente.  
  
4.   Analise o trecho:

Em 1933, Hitler exercia um fascínio alucinado na população alemã. Não era para menos: uma ideologia simplista devolvia aos alemães o prestígio ufanista que a derrota na Primeira Guerra Mundial havia tirado. O respaldo de Hitler tinha suas raízes no apelo com que sua ideologia manipulava o lado emocional e místico das massas.

SÁTIKO, Angélica; WUENSCH, Ana Miriam. Pensando melhor: iniciação ao filosofar. São Paulo: Saraiva, 1997, p. 289. (Adaptado).

A partir da analise do trecho e considerando outros conhecimentos sobre o assunto,
a) RELACIONE o desfecho da Primeira Guerra Mundial com ascensão do nazismo na Alemanha.
b) APRESENTE duas características da política nazista.
c) EXPLIQUE o papel desempenhado pela propaganda política no regime nazista na Alemanha.  
  
5.   Analise este mapa, em que estão representados os resultados obtidos por um grupo de pesquisa internacional, ao estimar a taxa de perda do habitat natural em parte do Continente Sul-americano:



1. A partir dessa análise e considerando outros conhecimentos sobre o assunto, explique por que a perda mais significativa de habitat, até 2050, está prevista para ocorrer no espaço nacional que apresenta, no mapa, a forma de um arco, que se estende do Maranhão até Rondônia.

2. Leia esta afirmativa:

    As razões que justificam o menor impacto de perdas, tanto na fachada oriental do território nacional quanto no noroeste da Amazônia Legal Brasileira, são equivalentes e integram o mesmo grupo causal.

    Você concorda com essa afirmativa?                       (     ) Sim          (     ) Não

    Justifique sua resposta.
  
6.   Analise este mapa:




Considerando a forma do território brasileiro, mais extenso ao norte no sentido leste-oeste, e afunilado ao sul,
a) APRESENTE uma razão histórico-geográfica que justifica a maior extensão ao norte, no sentido leste-oeste, do território brasileiro.
b) CITE uma vantagem da posição e da forma geográficas do território brasileiro quanto aos fusos horários e às condições climáticas.
c) Leia esta afirmativa: “No mundo contemporâneo é vantajoso ser um país de dimensões continentais, como o caso do Brasil”. Você concorda com esta afirmativa? JUSTIFIQUE sua resposta.
  
7.   Leia estes trechos de um artigo a respeito da Conferência Rio+20, realizada em junho de 2012, no Rio de Janeiro:

“Os economistas não querem aceitar que existem limites insuperáveis para o aumento da produção e do consumo. Ciência da escassez na origem, a economia herdou a confiança do Iluminismo no progresso infinito do homem. Só que agora é a própria ciência a declarar que os mercados não podem continuar a viver em expansão contínua.”
A seguir o autor do texto cita, com base em relatórios científicos, os limites biofísicos da zona de segurança que já teriam sido ultrapassados tais como em mudanças climáticas, na biodiversidade e em outros. São nove os limites biofísicos próximos da violação. Segundo o autor:
“Esse tem de ser o foco da Rio+20: os limites biofísicos planetários que condicionam o crescimento da produção e do consumo. Se os limites forem violados, não haverá crescimento nem bem-estar porque as consequências serão catastróficas e irreversíveis.
Será possível impor limites aos mercados?[...]”.

Ricupero, Rubens: Os limites do possível. Folha de S. Paulo, 30 de abril de 2012, p. A12 Mundo. (adaptado)

A partir da análise e interpretação desses trechos,
a) EXPLIQUE o que é, no contexto empregado pelo autor, limite biofísico.
b) CITE um componente biofísico de ambiente oceânico e um de ambiente continental cujos limites de segurança, em escala planetária, estariam próximos ou mesmo já teriam sido ultrapassados.
c) As políticas econômicas propostas para vencer a crise financeira e econômica que abala o mundo atual, inclusive aquelas adotadas pelo governo brasileiro, estimulam o aumento do consumo por meio de estratégias como a redução temporária de impostos. Considerando a sustentabilidade do planeta, você concorda com essas propostas? JUSTIFIQUE sua resposta.  
  
8.   Leia este trecho:

Eurocopa & eurocrises

Sempre gostei da Eurocopa. O futebol é um pormenor. As minhas razões são políticas. Gosto da Eurocopa porque ela é a expressão tangível (e bem ruidosa) da diversidade nacional europeia que nenhuma construção federal será capaz de suprimir.
Dias atrás, a chanceler Angela Merkel [alemã] declarou em entrevista: a solução para os problemas do euro passa por mais “integração” dos países da zona do euro. [...]
Angela Merkel, claro, não lê a imprensa portuguesa. Se lesse, veria o que escreveram a respeito do jogo Alemanha x Portugal (que os portugueses, injustamente, perderam por 1 a 0). A retórica antigermânica era violenta, o que se entende; o país está sob resgate financeiro internacional, com a bênção punitiva da Alemanha.
Mas as rivalidades que a Eurocopa oferece não são apenas explicadas por crises econômicas momentâneas. Existem também memórias históricas que persistem em retornar à superfície.
Jogos como Polônia x Rússia ou França x Inglaterra são evocações fantasmagóricas de lutas seculares que deixaram sua pegada arqueológica. Quando essas equipes se voltarem a enfrentar na Eurocopa, não será apenas de futebol que a mídia irá falar.
[...]
Na Europa, não existe um único país; nem sequer como pretendem os federalistas, diferentes “regiões” que podem fazer parte de um super Estado com capital em Bruxelas.
O que existe são nações múltiplas que, na hora do confronto desportivo, regressam a um sentimento primordial de pertença: a uma língua, uma cultura, uma identidade.

Coutinho, João Pereira. In: Folha de S.Paulo.p. E6. Ilustrada.12 de junho de 2012. (adaptado)

A partir da análise e interpretação desse trecho, FAÇA o que se pede:
a) O jornalista português João Pereira Coutinho estabelece uma relação entre o comportamento das torcidas, a história e a situação econômica europeia atual. APRESENTE dois argumentos que comprovam a relação estabelecida pelo autor.
b) Pode-se perceber pela leitura do trecho que o jornalista tem uma posição com relação à integração europeia. EXPLIQUE qual é essa posição, justificando-a.
 
Gabarito:  

Resposta da questão 1:
 a) As bandeiras de apresamento ocorreram devido ao desenvolvimento agrícola, sendo necessária uma maior oferta de mão de obra. Embora a Coroa Portuguesa, em conformidade com a lógica do mercantilismo, impusesse o uso de escravos africanos na colônia a fim de estimular o tráfico negreiro, para o colono era mais vantajoso o uso de escravos indígenas. A mão de obra escrava indígena só foi substituída pela africana nas regiões ricas no século XVII. Nas regiões pobres, continuou sendo usada por todo o período escravista.
b) Pode-se citar como processos históricos decorrentes das Expedições de Apresamento:
– a dizimação da população indígena devido à escravização;
– a perda da identidade cultural dos índios;
– a retirada dos jesuítas, que eram espanhóis, das regiões que seriam ocupadas por portugueses posteriormente; 
– a expansão territorial da colônia portuguesa na América para além da Linha de Tordesilhas.
c) Os jesuítas tinham como objetivo maior a catequização dos indígenas, enquanto as bandeiras de apresamento visavam obter lucros com a venda dos escravos indígenas para as regiões açucareiras. Tanto as Missões jesuíticas quanto as bandeiras de apresamento utilizaram o índio como mão de obra.  

Resposta da questão 2:
 a) Com a renúncia de D. Pedro I e o início do período regencial, o Brasil experimentava pela primeira vez, o que para muitos historiadores representou uma “experiência republicana”, tendo em vista que não havia um imperador, e os regentes ocupavam o cargo temporariamente. O herdeiro legítimo do imperador abdicante era seu filho que, em 1831, tinha apenas 5 anos de idade e só assumiria o trono, segundo a Constituição de 1824, ao atingir a maioridade, quando completasse 18 anos.
b) Pode-se citar o descontentamento com o poder central, representado pelos regentes, e o desejo de autonomia das províncias, a crise econômica que se estendia desde as Guerras Napoleônicas, a miséria geral das camadas populares e a falta de condições do Estado Brasileiro intervir militarmente em todo o território nacional para conter as revoltas nas províncias.  

Resposta da questão 3:
 a)    Denis Diderot foi um filósofo iluminista enciclopedista e comungava dos ideais do liberalismo político.
b) Diderot criticava o absolutismo monárquico, que é a construção de um Estado centralizador e autoritário na forma de uma monarquia nacional.
c) Os pensadores iluministas refletiam em seus escritos a visão de mundo da burguesia, que tinha sua ascensão política e econômica, bem como suas liberdades individuais limitadas pelas características do Antigo Regime (Absolutismo Monárquico). O aluno poderá citar entre os motivos das críticas feitas pelos iluministas:
– o poder absoluto dos reis;
– a divisão da sociedade em estamentos;
– as relações de servidão feudal;
– o dirigismo econômico e os monopólios mercantilistas;
– a intolerância religiosa;
– a aproximação entre Igreja e Estado por meio do padroado.  

Resposta da questão 4:
 a) Adolf Hitler utilizou o orgulho ferido dos alemães após a assinatura do Tratado de Versalhes, que representou uma grande humilhação para a Alemanha, para despertar o sentimento nacionalista no povo, que apoiaria o seu partido político, o nazismo.
b) Anticomunismo, militarismo. Pode-se citar ainda: antissemitismo, antiliberalismo, antiparlamentarismo, superioridade da raça ariana, expansionismo em busca do “espaço vital”, xenofobia, nacionalismo exacerbado e totalitarismo.
c) Na Alemanha, desenvolveu-se um culto à imagem do líder, sendo implantada a censura a todos os meios de comunicação. Com isso, houve o fortalecimento do regime nazista.
A propaganda era conduzida pelo Ministro da Educação do Povo e da Propaganda, Joseph Goebells, e tinha como meta exercer severo controle sobre a Educação e a comunicação, com o objetivo de consolidar a aprovação popular do Partido Nazista, da doutrina do Partido e do Führer. Seus métodos eram sensacionalistas e desonestos, seguindo a filosofia de que “uma mentira dita cem vezes torna-se verdade”.  

Resposta da questão 5:
 1. A perda de biodiversidade na região indicada no mapa (arco de desmatamento que se localiza entre o Maranhão e Rondônia) ocorrerá devido à expansão da ocupação humana. O desmatamento e a poluição ambiental que acompanham as invasões humanas vão determinar a extinção local de diversas espécies, principalmente as mais sensíveis; tais como, árvores de grande porte, aves, anfíbios répteis e mamíferos. A pescaria extensiva e a predatória também reduzirá as populações de peixes que ocupam as águas.

2. O menor impacto de perdas, tanto na fachada oriental do território nacional quanto no noroeste da Amazônia Legal Brasileira, não são equivalentes e não integram o mesmo grupo causal. A ocupação territorial no nordeste foi facilitada pela destruição da Mata Atlântica. A ocupação da Amazônia é dificultada pela densidade da mata, regiões alagadas periodicamente, doenças tropicais como a malária, presença de reservas indígenas e legislação específica que procura preservar a integridade desse ecossistema único no planeta.  

Resposta da questão 6:
 a) Entre as razões, o formato da própria América do Sul, mais extensa no sentido leste-oeste e afunilada no sentido norte-sul, o traçado da linha do Tratado de Tordesilhas que separou inicialmente a parte espanhola da parte portuguesa, o avanço dos bandeirantes em direção a leste (Centro-Oeste e Amazônia) no período colonial, fator que propiciou a incorporação de novos territórios.
b) A posição e a forma do Brasil dominantemente na Zona Intertropical (entre o Equador e os Trópicos) faz com que o território tenha a dominância de climas quentes e úmidos que favorecem atividades econômicas variadas, a exemplo do agronegócio e do turismo. A forma leste-oeste faz com que o país tenha 3 fusos horários, sendo o principal situado entre o norte e a parte afunilada, onde localiza-se Brasília, as regiões Sul, Sudeste, Nordeste, além de Goiás, Pará e Amapá.
c) No mundo contemporâneo, a grande extensão territorial de um país traz várias vantagens, como a maior quantidade e diversidade de recursos naturais, no caso do Brasil, água, biodiversidade, variedade climática, solos agricultáveis, recursos minerais e recursos energéticos, como o petróleo. Trata-se de um dos aspectos que torna alguns dos BRICS, como Brasil, Índia, China e Rússia, potências emergentes no século XX. Todavia, a riqueza natural precisa ser acompanhada de grande investimento em recursos humanos, especialmente em educação, ciência e tecnologia, sem a qual não é possível um uso sustentável dos recursos naturais, tampouco a transformação destes países em nações desenvolvidas socialmente. A desvantagem da grande dimensão territorial, principalmente para nações emergentes, seria a complexidade administrativa que exige expressivo dispêndio financeiro e capacidade gerencial.  

Resposta da questão 7:
 a) Os limites biofísicos correspondem aos limiares da exploração dos recursos naturais, já que ultrapassados poderão causar graves impactos aos ecossistemas naturais, como a substancial perda de biodiversidade.
b) No ambiente oceânico, incluindo as zonas costeiras, em muitas regiões, é grave a poluição dos recursos hídricos pelo vazamento de petróleo e derivados, despejo de esgotos domésticos sem tratamento, lançamento de efluentes industriais, disposição de lixo e sobrepesca (pesca excessiva). No ambiente continental, o quadro também é preocupante em decorrência da remoção de grande parte dos ecossistemas naturais, diminuição da biodiversidade, poluição dos recursos hídricos, aumento dos processos de erosão e de desertificação.
c) As medidas de combate à crise financeira global a partir de 2008, tomadas por vários países como o estímulo ao aumento do consumo de bens duráveis como automóveis e eletrodomésticos, elevam a pressão sobre os recursos naturais e não são sustentáveis do ponto de vista ambiental. No caso do Brasil, houve expressivo estímulo para a compra de automóveis novos com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), a consequência foi a elevação do número de automóveis nas cidades, o aumento dos congestionamentos, numerosos acidentes – uma vez que muitas rodovias são precárias –, além do agravamento da poluição do ar e da poluição sonora. A economia poderia ser estimulada de outras formas, como o aumento dos investimentos públicos e privados em transporte coletivo de qualidade, como a rede metroviária e ferroviária, gerando empregos, reduzindo congestionamentos e melhorando a qualidade do ar nas áreas urbanas.  

Resposta da questão 8:
 a) O comportamento das torcidas de futebol reflete sentimentos variados, como os ressentimentos decorrentes dos nacionalismos, dos conflitos e guerras do passado (Primeira e Segunda Guerras Mundiais, onde a Alemanha foi uma protagonista decisiva), da ordem geopolítica anterior (a exemplo da hegemonia soviética no Leste Europeu) que se entrelaçam com o quadro contemporâneo onde também a Alemanha tem um papel de centralidade no campo financeiro. A Alemanha tem sido o país-chave na União Europeia no resgate financeiro dos PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha). O auxílio financeiro é concedido, mas exige-se em contrapartida medidas como cortes em gastos públicos que provocam baixo crescimento e desemprego. Assim, o sentimento “antigermânico” é crescente em diversos países europeus.
b) O autor é contrário ao ideário de um “Super Estado” (referência ao aprofundamento da União Europeia), onde as soberanias nacionais seriam gradativamente suprimidas do ponto de vista econômico e legislativo. Na verdade, se ressalta o fato de que a Europa é constituída de Estados nacionais com peculiaridades culturais (língua e tradições), econômicas e políticas, muitos deles também com expressiva diversidade interna.  





HOTWORDS

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Follow by Email

Textos relacionados